Seu colega de trabalho é cronicamente egoísta, não se solidariza com o restante da equipe e pode ser um pouco manipulador. Todos têm um pé atrás com ele. Por que ele segue fazendo sucesso no escritório, recebendo promoções e apertos de mão, apesar de ser tão má companhia?
Provavelmente porque o gestor do seu colega é igualmente egoísta – e prioriza o avanço da própria carreira.
É o que sugere um novo estudo publicado no Journal of Managerial Psychology e realizado por pesquisadores da University of British Columbia, no Canadá, que entrevistaram e fizeram experimentos com mais de 1,2 mil gerentes.
“Se você [enquanto chefe] tem objetivos voltados para seu próprio benefício, contratar um candidato com traços negativos de personalidade pode ser útil”, disse Karl Aquino, coautor do estudo, em comunicado à imprensa. “Se você tem objetivos mais voltados ao coletivo, não vai querer contratar essa pessoa.”
Pode ser útil, argumentam os pesquisadores, porque tais funcionários estariam mais dispostos a assumir tarefas que outros evitam, como implementar políticas impopulares no escritório, disciplinar outros funcionários ou realizar demissões. Manter essas pessoas por perto e deixá-las com o trabalho sujo seria uma forma de os gestores protegerem a própria reputação, por exemplo.
Em um dos experimentos, os gestores avaliaram candidatos fictícios a vagas de emprego que tinham qualificações idênticas, mas se comportavam de maneira diferente no escritório. Os candidatos que se mostraram egoístas e manipuladores de alguma forma receberam avaliações melhores dos gerentes que priorizavam a própria ascensão profissional.
Em outro experimento, os pesquisadores pediram que os líderes refletissem sobre os funcionários que mais gostavam e menos gostavam no mundo real. Resultado: os chefes que priorizavam a si mesmos eram significativamente mais propensos a avaliar seus preferidos como pessoas que têm traços de personalidade considerados negativos.
“Um líder reconhece um lugar [na empresa] para quem parece violar as normas convencionais do que é ser uma boa pessoa”, explica Aquino.
Segundo os pesquisadores, profissionais pouco empáticos ou manipuladores podem até oferecer vantagens no curto prazo para seus chefes e para a companhia. Mas, no longo prazo, podem alimentar a desconfiança no escritório, alterar a cultura organizacional e gerar riscos éticos e de reputação. Ou seja: melhor continuar com um pé atrás.
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Fonte ==> Você SA