EMS diz que lançará concorrente do Ozempic 30% mais barato – 26/05/2026 – Equilíbrio e Saúde

Ozivy, da EMS, é a primeira caneta contendo semaglutida sintética com registro da Anvisa

A EMS afirma que lançará em um mês no mercado o medicamento Ozivy, que contém semaglutida, o mesmo princípio ativo do Ozempic. A farmacêutica nacional diz que a caneta terá valor 30% mais baixo do que o concorrente da Novo Nordisk.

O medicamento da EMS foi registrado nesta terça-feira (26) pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o tratamento do diabetes. A empresa afirma que pedirá também o aval para a perda de peso.

Vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez diz que o produto também será mais barato do que as canetas da Eurofarma, empresa que fez parceria com a Novo Nordisk para entrega de medicamentos para diabetes e emagrecimento. Ele afirma, porém, que não pode garantir qual será o desconto em relação à concorrente nacional.

“Entendemos que nosso preço continuará sendo mais acessível que o da Eurofarma, que é o produto que a Novo Nordisk deve usar para concorrer no preço”, disse em entrevista à imprensa.

Segundo Sanchez, existe intenção do governo levar o produto ao SUS (Sistema Único de Saúde), mas não há definição sobre venda para a rede pública. Na sua avaliação, o sistema público deve selecionar um público mais restrito para o produto, como pessoas que aguardam cirurgia bariátrica ou que apresentam grau severo de obesidade.

O representante da farmacêutica não diz, no entanto, qual será o valor do novo produto. O Ozempic tem registro de preços de venda ao consumidor que variam de cerca de R$ 800 a R$ 1.000 na versão de 1 mg, sem considerar a cobrança de ICMS.

Sanchez diz que a empresa também deve lançar um programa de descontos para os primeiros meses de uso do produto, como prevê a parceria entre a Novo Nordisk e a Eurofarma.

O vice-presidente da EMS declara que a companhia tem capacidade de entregar 40 milhões de canetas por ano, mas que a expectativa é distribuir 1,2 milhão de unidades em 2026. “O produto tende a superar R$ 500 milhões em faturamento no primeiro ano”, acrescentou.

A expectativa é que o primeiro ano de vendas represente 4% a 5% do faturamento total da empresa. “Tende a ser o maior produto da empresa nos primeiros 12 meses, e de maior potencial”, afirmou.

A EMS é uma das empresas nacionais em melhor posição no mercado das canetas usadas para diabetes e emagrecimento. A empresa investiu mais de R$ 1 bilhão para montar uma fábrica de peptídeos sintéticos em Hortolândia (SP), tecnologia aplicada na produção das canetas. O Ozivy, porém, ainda utiliza matéria-prima importada da China.

O medicamento da EMS não foi enquadrado como genérico pela Anvisa, categoria em que o preço deve ser ao menos 35% inferior ao do produto de referência. O Ozivy foi registrado como medicamento novo por um análogo sintético do Ozempic, que tem base biológica.

Ainda assim, o mercado avalia que a concorrência deve baratear as canetas.

Antes de chegar às farmácias, o medicamento terá preço definido pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). A EMS espera que a câmara anuncie os valores nos próximos dias.

As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade.

As marcas mais conhecidas do mercado são o Ozempic (semaglutida, da Novo Nordisk) e Mounjaro (tirzepatida, da Eli Lilly), mas existe uma forte procura por produtos feitos no Paraguai e em farmácias de manipulação. A Anvisa tem intensificado o cerco a este mercado de produtos sem registro nacional.

Para Sanchez, a chegada de novos medicamentos pode desestimular a busca por produtos sem registro. Segundo estimativas da indústria, afirma, o mercado “informal” pode ser cinco vezes maior do que o mercado de medicamentos industrializados. “Estamos falando de produto que não conseguimos estimar a demanda reprimida”, diz.

Ele afirma que 2.000 representantes comerciais da empresa devem atuar na divulgação do medicamento a médicos. Sem o registro para obesidade, a publicidade só pode ser voltada para controle do diabetes.

“Não podemos fazer propaganda para obesidade. Somente para diabetes. Nosso foco regulatório é conseguir indicação [da Anvisa] para obesidade”, diz.

Sanchez também declara que a empresa busca pacientes que ainda não utilizaram o Ozempic, uma vez que não é possível fazer a troca entre os produtos da Novo Nordisk e da EMS.

A EMS diz ter pedido o registro nos Estados Unidos de um produto com tirzepatida, a mesma substância do Mounjaro, e que fará o mesmo em breve no Brasil. Sanchez afirma que o plano é receber o aval para começar a fabricação e ter lotes prontos em 2032, quando a patente da Eli Lilly sobre a substância expira.

No ano passado, a disputa pelo mercado dos emagrecedores ganhou novo rumo com atuação direta do governo Lula (PT). A Anvisa atendeu a um pedido do Ministério da Saúde e passou na frente da sua fila de análise 20 pedidos de remédios emagrecedores contendo liraglutida ou semaglutida.

O movimento do governo se deu dias após o ministro Alexandre Padilha (PT) fazer uma espécie de propaganda dos emagrecedores de liraglutida que a EMS havia lançado. “Aquelas canetinhas que o pessoal está usando direto por aí, mais um produto na área, baixando o preço para a população”, declarou o ministro em vídeo gravado após evento da farmacêutica.



Folha SP

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