Antes de encontrar no artesanato um novo caminho, Zózima construiu uma trajetória marcada pela educação, pela família e por mudanças que transformaram sua vida. Natural do interior do Mato Grosso, ela se mudou para capital Cuiabá já adulta, com os filhos e a mãe, estudou e se tornou professora de língua portuguesa e língua espanhola. As crianças cresceram e decidiram se mudar para Americana, no interior de São Paulo, para morar com o pai e estudar.
Ela permaneceu na capital mato-grossense por alguns anos, mas durante a pandemia sua mãe morreu. Sozinha, a professora decidiu também se mudar para Americana para ficar próxima das pessoas que mais amava, seus filhos e seu irmão, que morava na capital paulista. “Só que, infelizmente, três meses após a partida da minha mãe, meu irmão também faleceu”, lamenta.
“E eu me vi aqui sem minha mãe, sem meu irmão, que era meu porto seguro… Meus filhos tentavam me confortar, mas eu acabei caindo de paraquedas na vida deles. Eu sentia quase como um peso, como se estivesse incomodando, mesmo que eles fizessem tudo para que eu não me sentisse assim”, conta.
Longe dos amigos da vida inteira e se sentindo sozinha, Zózima passou por um dos períodos mais difíceis de sua vida. “Não conseguia sair, não conseguia fazer amizades, foi realmente muito difícil essa época.” Mas, sem desistir, ela lembrou de um sobrinho que trabalhava com canecas personalizadas em Cuiabá e decidiu tentar fazer o mesmo. Comprou os maquinários e começou.
“Ainda não estava legal, eu não conseguia ver sentido naquilo tudo. As coisas até começaram a andar, de uma maneira devagar, mas andaram. Um dia eu recebi uma encomenda de uma empresa para personalizar saco-mochilas. Fui atrás de comprar, mas vi que estavam caras e pensei que se eu produzisse, ficaria bem mais barato”, relata.

E foi aí que tudo mudou. Com a lembrança carinhosa do pai, que era alfaiate, decidiu aprender a costurar também. “Eu já era apaixonada por isso. Meu pai foi alfaiate na nossa cidade natal, costurava ternos completos, camisas, calças clássicas, tudo muito lindo. Ele era reconhecido na nossa cidade e eu sempre tive vontade de aprender a costurar também.”
Zózima procurou onde poderia fazer um curso de costura e encontrou o Centro da Universidade do Conhecimento de Americana (Cuca), onde começou a frequentar as aulas.
“E aí eu renasci com uma vontade incrível de aprender, de estudar e tudo se tornou diferente. Saí de casa, fui conhecer pessoas, conversar com elas, aprender coisas novas. Na maioria das aulas eu chorava porque eu lembrava do meu pai costurando e eu sentada embaixo da mesa dele, ou brincando com a roda da máquina. E eram lembranças lindas, lembranças maravilhosas.”
Zózima relata que está aprendendo termos que antes não dominava, além de ferramentas do Instagram, do WhatsApp, precificação, atendimento ao cliente… “Tudo isso agrega valor ao que eu vivo no meu dia a dia. E, claro, nos dá segurança para falar, para fazer uma compra, organizar. Nós tivemos um curso sobre precificação e saímos de lá quase doidas, porque é muita coisa”, brinca. “De vez em quando eu ainda me perco, mas aí eu respiro fundo e volto para a luta”, finaliza.
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Fonte ==> Sebrae