EUA anunciarão acordo permitindo à Arábia Saudita um programa nuclear, dizem relatórios

A file image of Saudi Crown Prince Mohammed bin Salman holding an extended handshake in the White House Oval Office with US President Donald Trump

Espera-se que os EUA e a Arábia Saudita anunciem um acordo que permitirá ao reino do Golfo desenvolver um programa nuclear civil, segundo relatos da imprensa norte-americana.

Um anúncio é esperado do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, na quarta-feira, disseram autoridades dos EUA.

O acordo poderá valer milhares de milhões de dólares para os EUA, cujas empresas poderão estar envolvidas na construção de uma instalação para produzir urânio enriquecido, que pode ser utilizado como combustível para centrais eléctricas, mas também para fabricar bombas nucleares.

Especialistas nucleares e antigos funcionários de Israel – o principal aliado dos EUA no Médio Oriente – manifestaram preocupação de que o plano pudesse, em última instância, levar a Arábia Saudita a ser capaz de desenvolver uma arma nuclear.

A BBC pediu comentários à Casa Branca.

Os relatos dos meios de comunicação dos EUA dizem que, nos termos do acordo, depois de realizar um estudo conjunto com os EUA, a Arábia Saudita poderá ser autorizada a enriquecer urânio no seu solo para produzir combustível numa instalação de enriquecimento construída nos EUA, em vez de depender de combustível importado.

Esta disposição distinguiria este acordo de outro acordo celebrado pelos EUA em 2009 com o vizinho da Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, ao abrigo do qual os EAU não produzem o seu próprio combustível e aceitam uma série de outras restrições.

Por essa razão, espera-se também que o acordo atraia a preocupação dos defensores da não-proliferação nuclear, cujo objectivo final é evitar um aumento no número de armas nucleares em todo o mundo.

A questão nuclear tem estado no centro do conflito entre EUA e Israel que já dura meses com o Irão. As duas nações dizem que uma das razões pelas quais atacaram o Irão em Fevereiro foi para impedir que o país desenvolvesse uma arma nuclear – algo que Teerão nega ter planeado fazer.

O governante de facto da Arábia Saudita, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, disse à CBS News em 2018 que o seu próprio país não planeava adquirir uma arma nuclear, mas que “sem dúvida, se o Irão desenvolver uma bomba nuclear, seguiremos o exemplo o mais rapidamente possível”.

O acordo entre os EUA e a Arábia Saudita, que será revelado na quarta-feira, já foi aprovado por Trump e durará 30 anos, segundo o Wall Street Journal.

Se os EUA se opuserem à realização de enriquecimento na Arábia Saudita na sequência do estudo conjunto, o reino não seria autorizado a fazê-lo sozinho ou com outro parceiro estrangeiro durante 10 anos, diz o jornal.

O plano será agora enviado ao Congresso dos EUA. Espera-se também que alguns legisladores de ambos os lados do corredor político se oponham ao acordo, embora o Partido Republicano de Trump controle as câmaras superior e inferior.

O acordo EUA-Saudita não dependeu da normalização dos laços diplomáticos com Israel pelos sauditas, relata o New York Times. O impulso para a normalização saudita-israelense tem sido uma aspiração de sucessivos presidentes dos EUA.



Fonte ==> BCCNews

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