Dourados concentra 42% das mortes por chikungunya do país – 23/04/2026 – Equilíbrio e Saúde

A imagem mostra um mosquito se alimentando do sangue em uma pele humana. O mosquito é pequeno, com corpo escuro e asas transparentes. A pele é visível ao fundo, com pelos finos.

Dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde mostram que Dourados, em Mato Grosso do Sul, concentra 42% das mortes por chikungunya registradas no Brasil em 2026. A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, responsável também pela dengue e zika.

Até 17 de abril, foram 19 óbitos pela arbovirose no país, sendo que 12 ocorreram no estado. Destes, 8 são de Dourados. Entre os mortos há dois bebês indígenas, de um e três meses.

Segundo a prefeitura local, o município totaliza 4.959 casos prováveis de chikungunya com 2.204 confirmações. O coeficiente de incidência é de 2.037,6 por 100 mil habitantes —considera-se epidemia acima de 300, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Ministério da Saúde.

Em 20 de abril, o prefeito de Dourados, Marçal Filho, decretou situação de calamidade em saúde pública no município.

Para coordenar o enfrentamento à chikungunya, a prefeitura criou o COE (Centro de Operações de Emergências) em Saúde Pública. O avanço da doença e a superlotação da rede pública de saúde preocupam as autoridades —41 pacientes permanecem internados.

Em Mato Grosso do Sul, ainda de acordo com o boletim do governo federal, dos 7.587 casos prováveis, 3.376 foram confirmados no período.

A SES (Secretaria de Estado de Saúde) de Mato Grosso do Sul afirmou, em nota, que tem intensificado as ações de enfrentamento à arbovirose com foco especial nos municípios em situação de surto e epidemia.

Houve o reforço da rede hospitalar em Dourados, com a disponibilização de 15 leitos exclusivos para casos da doença no HRD (Hospital Regional de Dourados) —dez adultos e cinco pediátricos— por tempo indeterminado. A pasta instituiu fluxo emergencial de regulação para casos graves.

Monitoramento do cenário epidemiológico, qualificação dos profissionais de saúde para o diagnóstico e manejo clínico adequados e intensificação das ações de controle vetorial com o envio de equipamentos são outras ações

O que diz a Prefeitura de Dourados

Em 5 de março, foi criada uma força-tarefa conjunta com o governo do estado, Prefeitura de Itaporã, Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) e lideranças das aldeias Jaguapiru e Bororó para eliminar criadouros do mosquito.

Foram visitadas 4.319 moradias indígenas. Em 2.173 delas os agentes realizaram tratamento químico de combate ao vetor. Dos 1.004 focos do Aedes encontrados, 90% estavam em caixas d’água, lixos, pneus acumulados nos quintais.

Logo após as ações dos agentes de endemias, a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) iniciou os trabalhos na área de atenção básica. A intervenção foi desarticulada em 18 de abril.

O combate à epidemia na reserva indígena é feito pelo governo federal. O município apoia com mutirão de limpeza e combate aos focos do mosquito. No perímetro urbano são realizadas ações de combate por agentes de endemias e instalação de armadilhas contra o Aedes.

A infectologista Andyane Freitas Tetila, do Hospital Universitário da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), integrante da Rede HU Brasil, afirma que o ambiente é propício e suscetível para a disseminação do vírus.

“Há pessoas que nunca tiveram contato com o vírus e também há o encontro do vetor por conta da dificuldade de controlar o mosquito. Nosso clima é bastante favorável, principalmente agora nesse período sazonal de calor e bastante chuva”, diz Andyane.

O que diz o Ministério da Saúde

Durante a atuação da Força Nacional do SUS, foram realizados 2.500 atendimentos, 130 remoções, 358 visitas domiciliares e 804 exames.

No início de abril, também houve a contratação de 50 novos agentes de combate às endemias. Eles atuaram com o apoio do Exército Brasileiro nas aldeias Jaguapiru e Bororó. O trabalho alcançou 1.900 residências e resultou na eliminação de 575 focos do mosquito.

No sábado (25), começará a funcionar uma unidade móvel do Programa Agora Tem Especialistas. O objetivo é ampliar a oferta de atendimentos clínicos, vacinação, pré-natal, testes rápidos e exames para diagnóstico de chikungunya no território indígena.

Em todo o país, até 17 de abril, foram registrados 31.909 casos prováveis de chikungunya. Destes, 18.066 confirmados, com 19 óbitos —outras 14 estão em investigação. No mesmo período de 2025, houve 65.346 prováveis e 57.647 confirmações, com 90 mortes.

Goiás, Minas Gerais e São Paulo também apresentaram números expressivos de chikungunya até 17 de abril.

Em 2026, o painel de monitoramento das arboviroses do Ministério da Saúde aponta que, em Goiás, dos

8.264 casos prováveis de chikungunya, 6.974 foram confirmados; uma pessoa morreu. Minas Gerais

tem 8.278 casos prováveis e 4.510 confirmações, com uma morte.

O estado de São Paulo registrou 1.526 casos prováveis e 615 confirmados, com duas mortes.

A chikungunya causa febre alta, dor de cabeça, nas articulações e nos músculos. Alguns pacientes desenvolvem dor articular crônica por meses ou anos. Complicações são mais frequentes nos extremos de idade, doentes crônicos e imunossuprimidos.

Vacinação

Dourados e Itaporã (MS), Bady Bassitt (SP), Araguari e Uberlândia (MG), e Caldas Novas (GO) foram incluídos na estratégia piloto de vacinação contra a chikungunya do Ministério da Saúde.

A ação, prevista para iniciar dia 27 de abril, segue o modelo do projeto-piloto implementado em outros dez municípios do país — Mirassol (SP), Maracanaú (CE), Maranguape (CE), Simão Dias (SE), Barra dos Coqueiros (SE), Lagarto (SE), Santa Luzia (MG), Sabará (MG), Sete Lagoas (MG), Congonhas (MG).



Folha SP

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