Sob a liderança da CEO Mariane Domingos, empresa catarinense aposta na tradição familiar e na fermentação natural para conquistar o mercado norte-americano.
Com mais de 30 anos de atuação, a Três Coqueiros inicia uma nova fase de sua história. Sob a liderança de Mariane Domingos, a empresa familiar catarinense inicia seu processo de internacionalização com foco nos Estados Unidos, levando muito mais do que polvilho: apresenta ao mundo uma nova visão sobre a mandioca brasileira, valorizando tradição, inovação e alimentos naturalmente livres de glúten.
A história da Três Coqueiros começou muito antes da empresa existir. Ela nasceu nas mãos dos bisavós de Mariane, que cultivavam mandioca no interior de Santa Catarina. Esse conhecimento atravessou gerações, passou pelos pequenos engenhos da família e foi transformado em empresa por seus pais. Hoje, essa mesma história ganha um novo capítulo com a nova geração. Pedro Domingos, irmão de Mariane, atua como diretor financeiro e participa da estratégia de crescimento da companhia.
“Quando olhamos para trás, entendemos quantas pessoas contribuíram para que chegássemos até aqui. Internacionalizar a Três Coqueiros significa honrar essa história, valorizar os pequenos agricultores e mostrar ao mundo o potencial da mandioca brasileira”, afirma Mariane.
Nova geração assume os negócios
Embora tenha crescido acompanhando a rotina da fábrica, Mariane inicialmente seguiu outro caminho. Formou-se em Design de Interiores, trabalhou na área de arquitetura e morou em Florianópolis. Em 2018, aproximou-se definitivamente da empresa da família.
A mudança aconteceu de forma inesperada em 2020, quando seu pai, Sálvio Assis Domingos, permaneceu hospitalizado por cerca de 90 dias. Em plena safra da mandioca, Mariane assumiu a liderança da operação. O desafio transformou uma sucessora em líder e marcou o início de uma nova fase para a Três Coqueiros.
Hoje, ela conduz a estratégia da empresa, acompanha o relacionamento com os produtores rurais e lidera os investimentos em inovação e expansão internacional. A companhia reúne aproximadamente 30 colaboradores, produz cerca de 1.500 toneladas de polvilho por ano e atende principalmente os mercados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Estados Unidos entram no plano de crescimento
O projeto de internacionalização é conduzido pela World Bridge Brands (WBB), empresa especializada na entrada e no desenvolvimento de marcas brasileiras no mercado norte-americano e que trabalha com negócios como Chilli Beans e Natura.
Nathali Oliveira e Paulo Argollo estão à frente da estratégia da WBB, que envolve o posicionamento da marca, a adaptação de sua apresentação ao mercado norte-americano e a negociação com diferentes canais de varejo.
O plano prevê alcançar inicialmente os brasileiros que já conhecem o polvilho e o utilizam em receitas como pão de queijo, biscoitos e bolos. Paralelamente, a WBB pretende apresentar o ingrediente aos consumidores norte-americanos interessados em alimentos sem glúten e alternativas à farinha de trigo.
“O público brasileiro representa uma porta de entrada importante, porque já conhece o produto e mantém uma relação afetiva com receitas feitas à base de polvilho. Mas existe um mercado muito maior entre consumidores que procuram alimentos gluten-free, ingredientes naturais e novas possibilidades para a alimentação”, afirmam os sócios da WBB.
Outro fator favorável ao plano de expansão é que o polvilho não foi atingido pela tarifa adicional imposta pelo governo de Donald Trump a determinados produtos brasileiros. A fécula de mandioca está entre as exceções previstas na medida, reduzindo o impacto comercial sobre a entrada do produto nos Estados Unidos.
Fermentação natural é diferencial
Para conquistar espaço internacional, a Três Coqueiros aposta naquilo que considera seu maior diferencial: o respeito ao tempo da natureza. A mandioca é adquirida de pequenos produtores locais e o amido permanece em tanques por aproximadamente quatro meses, período em que ocorre a fermentação natural. Em seguida, o polvilho é seco ao sol, preservando características únicas de qualidade, funcionalidade e sabor.
Enquanto parte da indústria utiliza processos acelerados para modificar o amido, a Três Coqueiros mantém a fermentação biológica natural, permitindo que o produto desenvolva suas propriedades ao longo do tempo, sem recorrer à aceleração química do processo.
“Nosso polvilho é produzido respeitando o tempo da fermentação e cada etapa do processo. Não existe um ingrediente capaz de substituir esse tempo. É mandioca, fermentação natural e secagem ao sol. Esse cuidado faz toda a diferença na qualidade do produto”, explica Mariane.
A empresa também investe em análises laboratoriais para compreender cada vez melhor as propriedades do polvilho fermentado e desenvolver novos ingredientes e soluções alimentícias à base de mandioca.
Mais do que exportar um produto, Mariane acredita que a empresa pode contribuir para reposicionar a mandioca brasileira no cenário internacional. Para ela, a crescente busca mundial por alimentos sem glúten, ingredientes naturais e produtos de origem transparente abre espaço para uma matéria-prima que faz parte da cultura brasileira há séculos.
“Nós não queremos apenas exportar polvilho. Queremos mostrar ao mundo o potencial da mandioca brasileira. Acreditamos que ela será uma das matérias-primas mais importantes para a alimentação do futuro, especialmente em produtos sem glúten, ingredientes funcionais e alimentos mais naturais.”
Mariane conclui: “Queremos que, quando alguém pensar em mandioca de alta qualidade, pense no Brasil. E quando pensar no Brasil, conheça a Três Coqueiros. Nosso objetivo é unir tradição, qualidade e inovação para construir uma marca brasileira reconhecida internacionalmente.”