Filho de agricultor e criado no sítio, Jhonata cresceu em contato com a rotina da produção agrícola. Atualmente, ele cultiva hortaliças folhosas, como alface, salsa, cebolinha, coentro, hortelã, couve, almeirão e rúcula. Embora tenha iniciado o curso de Agronomia na Universidade Estadual de Maringá (UEM), decidiu interromper a graduação para se dedicar totalmente à propriedade da família.
“Percebi que não havia pessoas novas entrando na área. A maioria está saindo do campo e indo para a cidade. Resolvi permanecer, pensando nas oportunidades do futuro”, conta.
Para o produtor, dar continuidade ao trabalho da família depende do conhecimento construído ao longo dos anos dentro da propriedade. Segundo ele, a experiência que adquiriu no dia a dia do campo vai além da formação acadêmica e representa um patrimônio que ele quer resguardar. “Um agricultor não se forma apenas em uma faculdade. São anos na lida. O cuidado com a lavoura é um conhecimento transmitido entre as gerações.”

Jhonata também destaca a importância da inovação para tornar a propriedade mais eficiente. A implantação gradual do cultivo hidropônico permitiu ampliar a produção conforme a capacidade de investimento. Atualmente, o sistema conta com automação, painéis de comando, monitoramento por câmeras e controle remoto por aplicativo, recursos que aumentaram a eficiência do manejo.
Apesar dos avanços, o jovem produtor afirma que ainda existem desafios para quem escolhe permanecer no campo, principalmente conquistar a confiança do mercado e tornar a sucessão familiar mais atrativa para as novas gerações. “Os pais precisam enxergar os filhos como sócios e futuros donos da propriedade. Muitas vezes os filhos são tratados apenas como funcionários, e isso faz com que procurem oportunidades fora do campo.”

Jhonata diz que o maior ensinamento que adquiriu até hoje é o de se manter perseverante. Para o futuro, pretende tornar a propriedade rural cada vez mais profissionalizada. “Imagino que nossa propriedade se tornará uma empresa, com processos para padronizar os produtos e facilitar o trabalho.”
No Dia do Agricultor, ele também faz questão de valorizar quem escolheu permanecer na atividade rural. “O papel do agricultor é um dos mais importantes que existem, porque nada substitui o alimento. Continuem sendo honestos e perseverantes. A vida recompensa quem trabalha. O agro não para.”
Fernanda ressalta que a trajetória de Jhonata reforça uma realidade cada vez mais discutida no setor: incentivar a permanência dos jovens no meio rural. “Este é um dos principais desafios da agricultura brasileira. Ao unir conhecimento herdado, inovação tecnológica e gestão, uma nova geração de produtores demonstra que o futuro do agro depende tanto da experiência acumulada como também da capacidade de inovar”, conclui.
Fonte ==> Sebrae