Aos 100 anos, Fleury focará em envelhecimento saudável – 27/05/2026 – Equilíbrio e Saúde

Prédio branco com fachada em painel de madeira vazada e janelas de vidro na parte inferior, rodeado por árvores e céu azul claro.

Aos cem anos, o grupo Fleury inaugura em São Paulo uma unidade que sinaliza uma nova aposta estratégica da marca: o mercado de envelhecimento saudável.

Chamado Fleury Lifecare, o modelo é voltado à prevenção de doenças crônicas e combina medicina diagnóstica tradicional com acompanhamento contínuo para mudança de hábitos.

Com investimento de R$ 35 milhões, a nova unidade fica na alameda Gabriel Monteiro da Silva, nos Jardins, zona sul de São Paulo. Hoje, o mercado de longevidade movimenta cerca de R$ 38 bilhões no Brasil, dos quais R$ 6,5 bilhões estão concentrados na capital paulista —R$ 3,9 bilhões no segmento premium.

Segundo Patrícia Maeda, presidente da unidade de negócios B2C do grupo Fleury, a nova operação funciona como uma espécie de “flagship” (carro-chefe) da marca. “Ela reúne os serviços diagnósticos tradicionais, mas também apresenta uma experiência mais personalizada e integrada”, afirma.

Maeda diz que a unidade marca também uma mudança de posicionamento da empresa, historicamente ligada ao diagnóstico. “A ideia é estar presente de forma mais contínua na jornada de saúde das pessoas, apoiando mudanças concretas de estilo de vida antes que problemas mais graves se instalem.”

O Fleury Lifecare é voltado para pessoas acima dos 35 anos, faixa etária escolhida por representar, segundo a empresa, uma janela mais eficaz para intervenções preventivas capazes de reduzir o impacto de doenças crônicas no envelhecimento.

O serviço se apoia em seis pilares: alimentação saudável, atividade física, sono reparador, manejo do estresse, gestão da menopausa e saúde sexual, e conexão social.

A jornada começa com consulta médica e exames que resultam em um relatório chamado de “mapa da saúde”, que reúne indicadores metabólicos, hormonais, cardiovasculares e de bem-estar. A partir desse diagnóstico, o paciente recebe orientações personalizadas e pode aderir a ciclos de acompanhamento.

Segundo Maeda, o serviço será inicialmente oferecido apenas de forma particular. Os exames diagnósticos realizados na unidade terão cobertura normal pelos planos de saúde credenciados, mas o Lifecare funcionará à parte, por contratação direta.

“O cliente poderá contratar serviços específicos, de acordo com sua necessidade, ou aderir a um modelo de mensalidade para acompanhamento contínuo”, afirma. O valor da consulta inicial é de R$ 1.500.

A proposta inclui consultas nutricionais, oficinas de medicina culinária, yoga, mindfulness, biofeedback, protocolos individualizados de atividade física e sessões voltadas ao manejo do estresse.

Para o endocrinologista Pedro Saddi, responsável médico pelo projeto, a lógica é atuar sobre fatores amplamente respaldados pela literatura científica.

“O objetivo é oferecer intervenções com benefício comprovado, baseadas em evidência, para promover o que chamamos de compressão da morbidade: reduzir o número de anos vividos com doenças crônicas e preservar autonomia por mais tempo”, diz.

Entre as novidades tecnológicas está a oferta de um “relógio epigenético”, exame que estima a idade biológica por meio da análise de padrões de metilação do DNA, uma técnica molecular que avalia alterações epigenéticas (marcas químicas) no genoma.

Hoje, testes genômicos avançados utilizam a análise do perfil de metilação para diagnosticar e classificar com alta precisão diversos tipos de câncer. Também podem identificar variantes genéticas que afetam o metabolismo e como o organismo lida com nutrientes como o folato e a vitamina B12.

Segundo Saddi, o teste pode ajudar a refinar a avaliação de risco e monitorar o impacto das mudanças de estilo de vida ao longo do tempo. A unidade também poderá oferecer, em casos selecionados, análise da microbiota intestinal.

“Já há evidências consistentes de associação entre perfis específicos da microbiota e doenças metabólicas. Em alguns pacientes, esse exame pode ajudar a orientar intervenções nutricionais e monitorar resposta”, afirma.

A proposta, no entanto, esbarra em um debate crescente no setor da saúde sobre o risco de excesso de rastreamento e medicalização de pessoas saudáveis.

Saddi afirma que o programa seguirá protocolos rigorosos para evitar excessos. “A lógica é solicitar apenas exames com indicação consolidada, que permitam intervenção efetiva. Não faz sentido rastrear indiscriminadamente ou repetir exames sem utilidade clínica.”

Maeda afirma que a construção do serviço levou cerca de dois anos e envolveu intenso debate interno para estabelecer critérios baseados em evidência. “O mercado de longevidade vem crescendo rapidamente, mas também exige responsabilidade.”

A executiva afirma que, embora o público-alvo inicial esteja concentrado na alta renda, o grupo vê o envelhecimento saudável como tema central para o futuro da assistência.

“O envelhecimento populacional é inevitável. O desafio é fazer com que ele aconteça com mais saúde e menos incapacidade. Quanto mais cedo esse cuidado começa, maior o potencial de benefício.”



Folha SP

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