Na segunda-feira, 1º de junho de 2026, a Anthropic fez o anúncio que o mercado esperava há meses: ela começou o processo de abrir seu capital. Em dois breves parágrafos publicados em seu site, a empresa disse que submeteu confidencialmente uma proposta de oferta pública inicial de suas ações ordinárias.
Esse é o início do processo para tornar seu capital público – ou seja, para que ela comece a vender parte da empresa em forma de ações. Por meio da abertura de capital, uma empresa que, até então, pertencia apenas a seus fundadores, funcionários e investidores privados, pode colocar parte de suas ações à venda na bolsa de valores. Assim, qualquer pessoa comum pode comprar um pedacinho dela.
Em inglês, esse processo de abertura é chamado de IPO, sigla para Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial. O caráter confidencial do processo da Anthropic é uma prática comum nos EUA: a empresa entrega os dados ao regulador sem divulgá-los ao público até estar pronta para isso.
A Anthropic ainda não decidiu quanto vai valer cada ação nem quantas vai colocar à venda. Essa decisão virá mais adiante, após a aprovação e dependendo do humor do mercado.
A corrida contra a OpenAI
Nos últimos meses, Anthropic e OpenAI estão em confronto direto para ver quem chega em Wall Street primeiro. Segundo a Bloomberg, a OpenAI também está preparando um pedido confidencial de IPO nas próximas semanas e pretende estrear na bolsa ainda neste ano. A oferta da empresa de Sam Altman pode avaliá-la em até US$ 1 trilhão.
Mas, por enquanto, é a Anthropic quem está saindo na frente. Fazer a estreia na bolsa pode dar a ela maior visibilidade no mercado e acesso a uma base mais ampla de investidores e capital. Há especulação de que, se a Anthropic chegar à Wall Street primeiro, isso também poderia reduzir a demanda pela rival.
O entusiasmo com a abertura está envolto em dúvidas. Abrir capital significa também abrir as contas para auditores, analistas e jornalistas – e os números da Anthropic, assim como o das outras empresas de IA, ainda têm pontos delicados.
A empresa projeta aproximadamente US$ 80 bilhões em custos de infraestrutura de nuvem até 2029 e não espera parar de gastar mais do que arrecada antes de 2027. Ela já alertou que pode não sustentar a lucratividade pelo ano completo, dado o aumento de gastos previstos com infraestrutura.
Analistas afirmam que as duas empresas de IA estão correndo para abrir capital antes que o dinheiro dos grandes investidores acabe. Por outro lado, uma pesquisa do banco Deutsche Bank, realizada em dezembro, apontou a possibilidade de uma bolha no setor de tecnologia como a maior preocupação dos investidores para 2026, e a corrida simultânea da OpenAI e Anthropic para o mercado só acentuou esse nervosismo.
Para a Anthropic, fica o desafio de convencer não apenas clientes corporativos, mas também o mercado aberto, de que seu crescimento pode se transformar em lucro duradouro.
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Fonte ==> Você SA