Internações por gripe crescem 92,9% no Brasil – 24/04/2026 – Equilíbrio e Saúde

A imagem mostra um idoso com barba branca recebendo uma vacina. Ele está usando uma camiseta sem mangas e parece estar sorrindo. Ao fundo, duas profissionais de saúde, uma delas com óculos e a outra com um uniforme branco, observam e ajudam no processo de vacinação. O ambiente parece ser uma unidade de saúde, com uma grade azul ao fundo.

As hospitalizações por gripe avançam no país. Dados do Ministério da Saúde mostram que até 18 de abril, o Brasil registrou 4.658 internações por infecções causadas pelo influenza e 285 mortes. No mesmo período de 2025, foram 2.414 e 259, respectivamente, um crescimento de 92,9% nos casos que evoluíram para a gravidade e de 10,03% nos óbitos.

Uma das mortes registradas foi a do adolescente de 13 anos, em Sorocaba, no interior paulista. Ele morreu por complicações da gripe, mas não tinha comorbidades, segundo a prefeitura da cidade.

No último ano, quando a imunização foi estendida à toda a população acima de seis meses, o menino não se vacinou. O fato reforça a importância de não subestimar a doença e tomar a vacina.

Grupos de risco, como idosos, crianças, doentes crônicos e imunossuprimidos, são mais suscetíveis ao desenvolvimento de quadros graves e óbitos por Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave) associada ao vírus influenza, mas ninguém está livre de complicações.

O mais recente boletim Infogripe, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), aponta que as infecções por influenza A continuam em alta na região Centro-Sul (Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), em alguns estados do Nordeste (Paraíba, Alagoas e Sergipe) e Norte (Amapá, Acre e Rondônia). Há sinais de queda no Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Pará e Rio de Janeiro.

“O que chama muito a atenção neste ano é a antecipação da influenza que normalmente acontece mais para o final de maio, junho. No final de março, começo de abril, os casos de gripe começaram a aumentar bastante. Será que será maior agora e no inverno menor? O cenário ainda é muito incerto para fazermos qualquer prognóstico”, diz Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e secretário do Departamento de Imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Para o especialista, o cenário em 2026 é mais preocupante do observado em 2025.

Na opinião de Álvaro Furtado, infectologista e membro da SPI (Sociedade Paulista de Infectologia), as campanhas precisam dialogar com o público-alvo. Ele ressalta que as pessoas com mais de 60 anos e com comorbidades que não querem tomar vacina e não aderem às campanhas são as que internam com influenza grave.

“Chega o momento da circulação do vírus que começa a ter casos graves e a encher o hospital. E isso é uma coisa que preocupa, porque é a população que deveria tomar vacina. As campanhas precisam esclarecer a importância da vacina para proteger contra a gravidade. O que não queremos na população mais vulnerável é internação e morte, hospital cheio e falta de vaga”, diz Furtado.

A reportagem perguntou ao Ministério da Saúde se a vacinação será ampliada a todas as pessoas acima de seis meses, a exemplo do que ocorreu em outros anos. O órgão disse apenas que o esquema é prioritário para crianças, gestantes e idosos, grupos mais vulneráveis a hospitalizações e óbitos. Kfouri lembra que cerca de 75% a 80% dos óbitos por gripe acontecem nesses públicos.

O ministério orienta estados e municípios a intensificarem a imunização desses grupos. Uma reavaliação poderá ser realizada de acordo com o cenário epidemiológico e a disponibilidade de doses, diz a pasta.

“É fundamental que esses grupos sejam os primeiros a serem incluídos. É claro que chegamos no meio de maio e a adesão está baixa, com sobra de vacina, vamos proteger mais gente, que é o racional das campanhas. Esse ano vai acontecer de novo a liberação, provavelmente no meio de maio. Ainda não há uma data definida pelo ministério”, comenta o vice-presidente da SBIm.

A recomendação de Kfouri para quem não está contemplado pelo esquema do SUS (Sistema Único de Saúde), se possível, se vacinar na rede privada. “Quanto antes, melhor”, finaliza.

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza continua até 30 de maio. No Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, a ação é realizada no primeiro semestre do ano. Até 24 de abril, 21,36% do público prioritário nestas regiões foram imunizados. No Norte, por conta do inverno amazônico, ocorre a partir de meados de novembro. Lá, a cobertura de 41,90% é referente à campanha iniciada em 2025. Os dados são do Ministério da Saúde.

A gripe é uma infecção aguda do sistema respiratório. Segundo Álvaro Furtado, na fase inicial o paciente pode apresentar coriza, tosse, dor no corpo, de garganta, de cabeça, mal-estar, febre. Falta de ar, cansaço e sonolência podem ser indícios de influenza grave. Pneumonia, sinusite, otite, desidratação e piora das doenças crônicas estão entre as complicações.

Quem pode se vacinar no SUS no momento?

Além de idosos, crianças de seis meses a menores de seis anos e gestantes podem receber o imunizante:

  • puérperas
  • trabalhadores da saúde
  • professores dos ensinos básico e superior
  • povos indígenas
  • pessoas em situação de rua
  • profissionais das forças de segurança e de salvamento
  • profissionais das Forças Armadas
  • pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais (independentemente da idade)
  • pessoas com deficiência permanente
  • caminhoneiros
  • trabalhadores do transporte rodoviário coletivo (urbano e de longo curso)
  • trabalhadores portuários funcionários do sistema de privação de liberdade
  • população privada de liberdade, além de adolescentes e jovens sob medidas socioeducativas (de 12 a 21 anos).



Folha SP

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