Reforma tributária coloca holdings familiares novamente no centro do planejamento patrimonial

Oscar Neto

Em meio às mudanças de 2026, famílias empresárias e investidores revisam estruturas de patrimônio, sucessão e expansão. Consórcio pode integrar a estratégia financeira quando utilizado com orientação jurídica e tributária

Reforma tributária coloca holdings familiares novamente no centro do planejamento patrimonial Em meio às mudanças de 2026, famílias empresárias e investidores revisam estruturas de patrimônio, sucessão e expansão. Consórcio pode integrar a estratégia financeira quando utilizado com orientação jurídica e tributária. A reforma tributária está levando famílias empresárias, investidores e profissionais do mercado patrimonial a revisarem estruturas que, até pouco tempo, eram tratadas quase como soluções padronizadas. Holdings familiares, sucessão, imóveis, governança e organização patrimonial voltaram ao centro das discussões em 2026. Com o início da transição para o novo sistema tributário, que seguirá gradualmente até 2033, cresce também a necessidade de analisar cada patrimônio de forma individualizada.

Para Oscar Neto, especialista em estratégias patrimoniais, a discussão precisa ir além da simples criação de uma holding. “Não adianta organizar juridicamente um patrimônio se não existe também uma estratégia financeira para fazê-lo crescer, gerar liquidez e atravessar gerações. A holding estrutura o patrimônio; o planejamento financeiro precisa pensar como esse patrimônio será construído e expandido.”

HOLDING NÃO É APENAS TRIBUTAÇÃO

Para Oscar, um dos principais erros é enxergar a holding familiar exclusivamente como uma ferramenta para redução de impostos. “Holding familiar é muito maior do que tributação. Estamos falando de governança, sucessão, continuidade, organização dos ativos e estratégia de longo prazo. A questão tributária é importante, mas não pode ser o único motivo para estruturar uma sociedade patrimonial.” Com as mudanças trazidas pela reforma, modelos que funcionaram em determinado momento precisam ser novamente avaliados. A estrutura deve considerar patrimônio, imóveis, empresas, geração de renda, sucessão, perfil familiar e objetivos de longo prazo. Não existe uma holding padrão que sirva para todas as famílias.

O PAPEL DO ADVOGADO TRIBUTÁRIO

Nesse processo, Oscar destaca a importância dos escritórios especializados em direito tributário, societário e sucessório. “Eu valorizo muito os escritórios que fazem planejamento patrimonial de verdade. O advogado estrutura a arquitetura jurídica e sucessória que vai sustentar o patrimônio. Eu não quero ocupar esse lugar. Quero somar.” A mesma lógica vale para a contabilidade. O advogado avalia a estrutura jurídica e sucessória; o contador analisa os reflexos contábeis e fiscais; e o estrategista financeiro trabalha a construção e expansão dos ativos. “Quando essas áreas conversam, o cliente deixa de receber uma solução fragmentada e passa a ter uma estratégia patrimonial mais completa.” Por isso, Oscar mantém parcerias com escritórios de advocacia e contabilidade e, em situações específicas, participa da construção conjunta da estratégia para o cliente.

ONDE O CONSÓRCIO ENTRA?

É justamente nessa interseção que o consórcio imobiliário pode encontrar espaço. Pessoas jurídicas também podem participar de grupos de consórcio, observadas as regras da administradora e as condições contratuais. Para Oscar, porém, o ponto não é simplesmente adquirir uma cota. É entender qual função aquela aquisição terá dentro do planejamento patrimonial. Pode ser uma estratégia para aquisição de imóveis, terrenos, construção, expansão de patrimônio imobiliário ou formação de ativos para geração futura de renda. “Eu não apresento o consórcio como uma solução tributária. Ele é uma ferramenta financeira que pode conversar com uma estratégia patrimonial. Quem define a estrutura jurídica e tributária é o advogado e o contador. O meu papel é pensar como o capital pode ser utilizado para adquirir e expandir ativos.” Essa distinção é fundamental: consórcio não substitui planejamento tributário, assim como planejamento tributário não substitui estratégia financeira. São áreas diferentes que podem trabalhar juntas.

PATRIMÔNIO PRECISA CONTINUAR CRESCENDO

Para famílias que já possuem patrimônio, a pergunta não é apenas como proteger aquilo que foi construído. É também: “Como continuar crescendo?” Oscar tem observado empresários que já possuem imóveis, empresas e outros ativos, mas querem continuar expandindo sem necessariamente descapitalizar completamente o patrimônio existente. “A preocupação de muitos empresários mudou. Eles não querem apenas proteger o que têm. Querem continuar comprando ativos de maneira planejada. Dependendo do perfil e da estratégia, o consórcio pode fazer parte dessa equação.” Nesse contexto, o planejamento considera fluxo de caixa, prazo, capacidade de aporte, possibilidade de lance, contemplação e objetivo patrimonial. Não é simplesmente comprar uma carta de crédito. É estruturar uma aquisição.

UMA PARCERIA QUE VAI ALÉM DA VENDA


Oscar considera especialmente importante a aproximação entre especialistas financeiros e escritórios que atuam com planejamento patrimonial. “Sou muito parceiro de escritórios de advocacia e contabilidade que entendem que o consórcio pode ser uma ferramenta dentro do planejamento do cliente. Quando um advogado está estruturando uma sucessão, uma reorganização patrimonial ou uma estratégia imobiliária, e existe uma necessidade futura de aquisição de ativos, eu consigo entrar com a parte financeira.” Para ele, o advogado não precisa se tornar vendedor de consórcio. A ideia é criar uma relação de confiança na qual cada profissional atua dentro da sua especialidade. O escritório cuida da estrutura jurídica e tributária; Oscar entra na estratégia financeira de aquisição e expansão dos ativos.

ESTRATÉGIA ANTES DA FERRAMENTA

Esse conceito orienta o trabalho de Oscar Neto. Sua atuação é baseada em consultoria e desenho estratégico, conectando empresários, investidores, escritórios jurídicos, contadores e administradoras quando necessário. “Eu não acredito em receita pronta. Não acredito em abrir uma holding simplesmente porque todo mundo está abrindo. Também não acredito em contratar um consórcio porque alguém disse que é bom. Primeiro vem o diagnóstico. Depois vem a estratégia. Só então escolhemos as ferramentas.” Em alguns casos, o cliente precisa primeiro organizar documentação ou questões fiscais e jurídicas. Em outros, é necessário conversar com advogado, contador ou administradora antes de avançar. “Meu trabalho é entregar estratégia, não promessa. Se o cliente precisa primeiro regularizar a vida financeira, eu vou falar. Se precisa de um advogado, vou encaminhar. Se o consórcio não fizer sentido, também vou dizer.” Para Oscar, essa é uma das principais diferenças entre vender uma solução e fazer consultoria. A consultoria começa quando o profissional tem segurança para dizer não a uma ferramenta que não é adequada para aquele momento.

O FUTURO DO PLANEJAMENTO PATRIMONIAL

A reforma tributária reforça a necessidade de decisões patrimoniais individualizadas. Famílias empresárias precisam olhar para sucessão. Empresários precisam pensar em governança. Investidores precisam avaliar alocação de capital. E novos ativos precisam ser adquiridos dentro de uma estratégia coerente. Nesse ambiente, o planejamento tende a ser cada vez mais multidisciplinar. “Patrimônio por estratégia não é simplesmente ter bens. É saber por que você possui cada ativo, como pretende adquirir os próximos, como vai gerar renda, como vai organizar a sucessão e como vai fazer esse patrimônio atravessar gerações.” A holding pode organizar o patrimônio. O planejamento tributário pode buscar eficiência dentro da legislação. A governança pode garantir continuidade. E uma estratégia financeira pode ajudar na aquisição e expansão dos ativos. “Quando todos trabalham juntos, deixamos de falar apenas de patrimônio e começamos a falar de legado.”

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