Sua atividade incluía usar sua criatividade artística para ajudar pessoas a resolverem dilemas profissionais. Ele não era nenhum grande gênio, mas alguém cujo lado artístico e entusiasmo não haviam sido podados.
Ele fazia a mesma pergunta para qualquer turma: “quem aqui é um artista?”. No jardim de infância, todas as crianças levantavam as mãos – e com muito entusiasmo. Conforme subia a idade das meninas e meninos, a resposta ia deixando de ser unânime e empolgada. Os artistas eram cada vez mais raros e mais tímidos ao se admitirem assim. Lá pela quinta série, pouquíssimos, ou até mesmo nenhum deles, levantavam as mãos.
Não é que todos os artistas foram embora da escola, se mudaram ou foram viver da própria arte. Com o tempo, a autenticidade das crianças passou a se esconder atrás da autocrítica, da vergonha, do medo do julgamento, da baixa autoestima e da busca interminável pela perfeição. Eles são entraves que reprimem as aspirações e prazeres que nos afastam da nossa verdadeira identidade.
Em Encontre Sua Voz, a autora Celina Joppert quer fazer você se reencontrar com seu lado artístico e, por consequência, se reconectar com a sua verdadeira essência – aquela que ficou lá na infância, quando você não tentava corresponder às expectativas dos outros.
A autora tenta conduzir o leitor do autoconhecimento à ação, convidando-o a se reconectar com quem realmente é, fazer escolhas mais conscientes e assumir o protagonismo da própria vida. Por meio de reflexões e ferramentas práticas, o leitor é estimulado a reconhecer e lapidar seus talentos, ressignificar crenças limitantes, reforçar a autoconfiança e abrir espaço para uma expressão mais autêntica no mundo.
Abaixo, você confere dois capítulos da obra. Boa leitura! (Clique aqui para comprar o livro via Amazon.)
Capítulo 5. Você é artista?
Imagine que sua vida é uma tela em branco: você tem nas mãos as tintas e os pincéis para pintar um quadro magnífico. Ou, se preferir, pense em sua vida como um livro, em que cada página em branco é uma nova oportunidade para criar os próximos capítulos da sua história. Talvez você prefira vê-la como uma pauta musical, pronta para receber as notas que comporão a sinfonia única da sua existência.
Esscolha a metáfora que mais o inspira. O mais importante é saber que sua vida é uma obra de arte, e você é o artista que a cria. Ou melhor, o cocriador, já que existe uma inteligência maior que pode ser chamada de Deus, Universo, Vida… que é o criador maior. Mas, no que diz respeito ao que você pode controlar, o poder está em suas mãos para moldar, desenhar e criar o que deseja.
Agora, faço novamente a pergunta do início do livro, aquela que o executivo da Hallmark fazia nas escolas que visitava: você é artista?
Seja qual for sua resposta neste momento, gostaria de explorar essa ideia com você ao longo do livro. E, mais do que explorar, aprender com os artistas. Eles têm um olhar único para o mundo, um jeito especial de se expressar e de usar seu potencial com coragem e autenticidade. Essa mentalidade criativa pode nos inspirar a transformar nossas vidas. Veja o exemplo a seguir.
Você pode moldar sua vida
Um exemplo famoso na história da arte é o de Michelangelo, o gênio renascentista, quando lhe perguntaram como esculpiu a obra-prima Davi, de quase 4,5 metros, a partir de um único bloco de mármore.
Ele respondeu: “Foi fácil. Fiquei um bom tempo olhando o bloco de mármore até nele enxergar Davi. Então, peguei o martelo e o cinzel e retirei tudo que não era Davi”.
Esse foi o processo criativo de Michelangelo para esculpir sua obra. Ele foi tirando o excesso da pedra bruta para dar vida a Davi. Você pode aplicar esse mesmo processo. Você é o artista que cria sua experiência de vida. Comece removendo o que não faz parte de quem você realmente é. Quem sabe tirando o excesso de… Autocrítica, vergonha, pensamentos limitantes. De perguntas como: “O que as pessoas vão pensar de mim?” “Quem sou eu para sonhar tão grande?” De crenças como: “Eu não sou capaz. Eu não tenho valor. Eu não mereço. Eu nasci errado. Eu não pertenço”.
Ao fazer isso, sua singularidade, sua beleza interior, começarão a se revelar, a desabrochar. Assim como a natureza se expande e floresce, o nosso movimento natural como seres humanos é o mesmo, pois somos natureza. A partir daí, você pode dar vida ao seu eu autêntico, encontrar a sua voz e permitir que ela seja ouvida – por você em primeiro lugar, e depois pelo mundo – ao expressá-la e amplificá-la.
Para nos livrarmos desse excesso, o ponto de partida é sempre os 4 As: Autoconhecimento, Autogestão, Autoestima e Autoconfiança. Precisamos investir tempo e energia para saber quem somos, acreditar em nós mesmos e partir para ação.

O mindset do artista
Quando o convido a ser mais criativo, a usar a mentalidade do artista, não é para se dedicar à carreira artística, se tornar um pintor, cantor ou poeta. Quero lhe oferecer a liberdade de se descobrir, de entender suas angústias, seus medos, seus desejos, suas paixões e seus sonhos. De interpretar a vida de forma diferente, abrindo canais para se expressar, para se realizar. Quero encorajar você a olhar para a vida de forma mais ampla, curiosa, mais livre, e se permitir ser quem é e fazer o que quiser.
Viver dessa forma – investindo em você, honrando sua trajetória, reinventando-se, abrindo-se para o novo, trazendo à tona seus talentos, criando, experimentando, ousando – é uma arte. Se você já vive dessa maneira, parabéns, que espetáculo! Mas lembre-se: mesmo quem já domina a arte de viver pode sempre evoluir, se reinventar e descobrir novos caminhos, novas formas de ser mais feliz e realizado.
Se você sente que sua vida pode ser mais vibrante e significativa, é hora de romper antigos padrões e dar voz ao espírito criativo que habita em você.
Quanto mais expressar quem realmente é, usar seus talentos, fizer a diferença na vida das pessoas e no planeta, mais você estará exercendo sua arte.
Seja qual for seu ofício, quando você toca e transforma o outro com sua presença, com seu jeito de fazer as coisas, você está sendo um artista.
Então, solte sua voz, abrace a mentalidade do artista e dê um show no palco da vida!
Você é um ser criativo – um artista
Vou tomar a liberdade de responder por você à pergunta que fiz no início deste capítulo: sem dúvida, você é um ser criativo. Todos somos.
Você é um artista, mesmo que tenha se esquecido disso ao longo do caminho. Quando éramos crianças, a criatividade fluía naturalmente, sem esforço. E ela ainda está aí, dentro de você, esperando ser exercitada ou redescoberta.
Eu posso garantir isso, sem nem conhecer você pessoalmente, porque a criatividade é inerente a todos nós, é uma parte essencial de ser humano.
É fácil identificar criatividade em quem compõe uma música, pinta um quadro ou cria um slogan publicitário. Mas a criatividade dos “não artistas” nem sempre é reconhecida. E ainda assim ela está sempre presente.
Criamos o tempo todo, mesmo sem perceber. Quando sonhamos com alguma coisa, estamos criando. Quando fazemos uma piada ou mandamos uma mensagem inusitada para um amigo, estamos criando. Quando atendemos a um cliente de maneira diferente ou solucionamos um problema de forma inovadora, estamos criando. Quando inventamos uma receita nova ou damos um toque pessoal a um prato comum, estamos criando. Quando nos vestimos de maneira original ou fazemos uma declaração de amor única, estamos criando. A criatividade está nas pequenas e grandes tarefas do dia a dia, das mais simples às mais sofisticadas. Ela é parte de quem você é, um modo de viver e se posicionar no mundo.
Entretanto, em muitas ocasiões, acabamos desconectados do artista que existe dentro de nós – aquele que é ousado, inventivo, apaixonado, curioso e cheio de recursos, e quer compartilhar sua arte com o mundo.
Como artistas, nossa visão ampla nos conecta à riqueza do mundo interior e ao mundo ao nosso redor. Todos nós temos o poder de criar algo único, capaz de se conectar de maneira especial com os outros.
Por isso, convido você a assumir a mentalidade do artista, seu mindset criativo. Use-o para criar o extraordinário, para encontrar, expressar e ampliar sua voz.

Capítulo 7: Assuma seu protagonismo no palco da vida, a estrela é você
O protagonista é, portanto, um líder – alguém que inspira, transforma e deixa sua marca. Ele tem um senso de propósito e de significado definido. Sabe quais são as motivações mais autênticas que impulsionam seus projetos e está em um estágio de evolução que se aproxima de transcender as necessidades físicas e materiais.
O protagonista se vê como importante e necessário. O legado que deseja construir e a contribuição que deixará para a humanidade são suas prioridades.
Meu convite para você é simples: seja o protagonista da sua história. Seja o maior entusiasta das suas ideias, projetos e sonhos. Construa o seu legado e deixe sua marca no mundo, solte sua voz! Protagonistas assumem o controle e se tornam mestres do próprio destino. Eles buscam constantemente o autodesenvolvimento, se preparam, se capacitam e assumem a responsabilidade pelas escolhas que fazem e pelas consequências dessas escolhas.
Eles observam o que está funcionando e o que pode ser melhorado. Têm coragem de sair da zona de conforto, trabalhando para alcançar seu potencial máximo. Transformam o bom em excelente, arriscam-se em territórios desconhecidos e nunca medem esforços para se tornarem os melhores no que fazem. No vocabulário de um protagonista, frases como “não é da minha área”, “ não tive culpa” ou “eu não consigo” simplesmente não existem. Ele as substitui por: “Como posso contribuir?”, “O que posso fazer de diferente?”, “Vou fazer de tudo para conseguir”.
Com uma postura engajada, focada e dedicada, o protagonista age como o dono dos projetos e organizações dos quais faz parte. Ele assume um papel valioso nos sistemas em que está inserido.
A ideia de assumirmos o protagonismo de nossas vidas é validada pelo psicólogo e especialista em autoestima Nathaniel Branden. Ele afirma: “Ninguém virá salvar você. Devemos ser autoconfiantes, acreditar em nós mesmos, sem esperar que alguém venha nos resgatar. Precisamos cuidar de nós mesmos, nos sustentar e conseguir trabalho, abrigo, comida. As pessoas podem, sim, nos ajudar e estender a mão, e seremos gratos por isso. Mas não nos salvar. Salve a si mesmo”.
O protagonista está sempre construindo seus próprios caminhos. Algumas vezes, como parte da estratégia, ele também destrói pontes, para não poder voltar à mesmice ou a lugares onde não deseja mais estar. Quando não há caminho de volta, o único caminho é seguir em frente, utilizando sua força para vencer as batalhas.
Reflexão: quem é responsável pela sua história?
A quem você atribui a responsabilidade pelo que acontece em sua vida? É comum e até fácil culpar outras pessoas, apontando o dedo para justificar dificuldades ou desafios que enfrentamos. Embora possa parecer confortável no curto prazo, essa postura nos enfraquece profundamente. Quando terceirizamos a responsabilidade, renunciamos ao nosso poder de ação e mudança. Por outro lado, assumir a responsabilidade pelo que nos diz respeito nos fortalece, porque nos coloca no comando, como protagonistas da nossa história.

Dá para aquecer o ambiente?
Você já se encontrou em uma situação em que o ambiente está tão frio que as pessoas ao seu redor parecem congelar, seja em um cinema ou em um avião? Todo mundo reclama baixinho com quem está ao lado, mas ninguém toma uma atitude. Eu sou aquela pessoa que se levanta, vai até o responsável e pede para ajustar a temperatura, garantindo o conforto de todos (e o meu, claro). Sempre me pergunto por que, em um local cheio de gente, geralmente sou a única a tomar uma providência. Talvez você pense que sou a mais friorenta, mas não é bem assim.
Recentemente, tive a confirmação de que o desconforto não era apenas meu, mas de todos. No último voo que fiz antes de escrever este capítulo, a cabine do avião estava a 16 °C. As pessoas estavam enroladas em cobertores, com capuzes cobrindo quase todo o rosto, e o desconforto era evidente. Resolvi sair do meu assento e falar com um comissário para pedir que ajustassem a temperatura. Quando ele checou a temperatura, me disse: “Você tem toda a razão, está muito frio. Vou aquecer o ambiente”.
A atitude de levantar e agir tem um nome: protagonismo. É a ideia de que podemos melhorar o que estamos vivendo sendo proativos, assumindo a responsabilidade e agindo para transformar a situação, seja ela simples e cotidiana ou desafiadora e complexa.
Esses exemplos podem parecer triviais, mas ilustram perfeitamente o conceito de protagonismo. Muitas vezes, preferimos reclamar ou esperar que alguém resolva as situações por nós. O protagonismo é o oposto disso: é levantar-se, agir e fazer o que é necessário para melhorar as circunstâncias. É entender que, independentemente do tamanho do problema, nossa ação pode fazer a diferença.
No caso do cinema ou do avião, a temperatura fria incomodava a todos, mas ninguém se sentia responsável por mudar aquela realidade. Quando você toma a iniciativa, resolve não apenas o problema para si, mas também beneficia todos ao redor. Esse tipo de atitude é aplicável a diversas áreas da vida, desde pequenos desconfortos do dia a dia até grandes desafios pessoais e profissionais.
O protagonismo existe quando reconhecemos que temos o poder de impactar as situações à nossa volta, mesmo quando parecem fora do nosso controle. Em vez de esperar que algo aconteça ou que alguém resolva por nós, assumimos a responsabilidade e conduzimos nossa experiência. Essa é a diferença entre ser um espectador passivo da vida e ser o protagonista da sua jornada.
Protagonista ou coadjuvante?
Atitude de coadjuvante
Quem adota uma postura de coadjuvante normalmente transfere a responsabilidade pelo seu sucesso ou por suas dificuldades para fatores externos: sorte, governo, economia, chefes, clima ou trânsito. Essa postura coloca a pessoa em uma posição de submissão às circunstâncias ou a outras pessoas, limitando seu poder de ação e deixando-a em um estado de impotência, muitas vezes transformando-a até em vítima.
Atitude de protagonista
Já um protagonista entende que suas escolhas, ações e habilidades – assim como seus acertos e erros – exercem um papel central nos rumos da sua vida. Em vez de ficar preso às causas que o levaram a determinada situação, ele direciona o foco para o que pode fazer diante das circunstâncias. Quem tem coragem de olhar para si com honestidade, reconhecendo que a maioria das respostas está dentro de si, conquista o poder de criar sua própria experiência e, assim, escrever sua história.
Autoliderança
Ao assumir o protagonismo, você automaticamente assume a liderança sobre sua vida. Você não fica esperando que as condições ideais cheguem; ao contrário, analisa as possibilidades e cria suas oportunidades. Ser o líder da sua história é reconhecer sua responsabilidade nos resultados. Você passa a associar os acontecimentos à sua decisão, ao seu esforço, ao seu preparo ou à falta dele. Quando algo dá certo, você celebra e avança. Quando algo falha, você aprende, ajusta sua rota e segue em frente.
Essa postura traz um presente inestimável: a liberdade. E, com ela, vem também a responsabilidade.
Designer da própria vida
Para um protagonista, não existe fracasso, existem resultados. Assim como um designer, ele não se prende a falhas e erros. Encara cada situação difícil como um desafio que o fortalece e o ajuda a desenhar seu próximo caminho. Ele vê cada tentativa como um protótipo que pode falhar ou ser bem-sucedido, sem críticas destrutivas.
Ser o líder da sua vida nem sempre é fácil. Exige consciência constante, autoanálise, desenvolvimento e a coragem de evoluir continuamente.
Ao assumir o protagonismo, você conquista a preciosa liberdade de ser quem realmente é. Passa a expressar sua voz verdadeira e viver uma vida alinhada à sua essência e ao seu propósito maior.
4 habilidades da infância que podem ser diferenciais na vida profissional
Fonte ==> Você SA