Dados internos da Companhia de Estágios, líder em recrutamento e seleção de estagiários, trainees e jovens aprendizes, mostram que as mulheres foram a maioria absoluta nas contratações de estágio ao longo de 2025, representando 55% da base de estagiários ativos.
Além disso, as estagiárias conquistam vagas com valores de bolsa-auxílio mais altos, em média 19,8% a mais do que os homens. Isso significa que as estagiárias alcançaram vagas com valores em torno de R$ 2.351,37, ao passo que os homens conquistaram oportunidades com valor médio de R$ 1.961,94. No que diz respeito à diversidade racial, 39% das mulheres estagiando são pretas ou pardas.
“Não se trata apenas de maior presença feminina, mas de uma ocupação mais estratégica dessas vagas, em áreas e projetos com maior complexidade técnica e visibilidade dentro das empresas”, diz Carolina Madureira, diretora de operações da Companhia de Estágios. “Isso sugere que as organizações estão apostando no potencial das mulheres, inclusive de mulheres negras, para funções que historicamente concentram melhores bolsas e maiores chances de efetivação. Ainda é um avanço inicial, mas revela que políticas de diversidade bem desenhadas podem impactar não só quem entra, mas também o tipo de porta que se abre.”
O que mais pesa para tornar as mulheres a maioria entre os estagiários é o fato de que elas já são maioria entre os estudantes do ensino superior. Segundo o Ministério da Educação, dos cerca de 10 milhões de matriculados no ensino superior, 5,9 milhões são mulheres, 59,1% do total.
O protagonismo feminino também se reflete na efetivação após o estágio. Ainda segundo o levantamento interno da Companhia de Estágios, no ano passado, 63% dos contratos de efetivação foram de mulheres.
O dado indica não apenas uma maior presença feminina nos programas de estágio, mas também um desempenho consistente ao longo do programa. Para a executiva da área, estes dados representam um avanço no reconhecimento do talento das mulheres em posições iniciais do mercado de trabalho. Ainda assim, essa vantagem no início da carreira não se traduz em maior equidade ao longo do tempo.
Para ampliar a presença feminina em cargos de liderança, a executiva destaca a necessidade de ações estruturais, conduzidas principalmente pelas áreas de Recursos Humanos. Entre elas estão o desenvolvimento de trilhas de carreira claras — do estágio a posições estratégicas —, com critérios objetivos e competências bem definidas; programas internos de mentoria, que promovam orientação, acompanhamento e redes de apoio entre mulheres; além da adoção de metas de diversidade em todos os níveis hierárquicos e da garantia de políticas de equidade e igualdade salarial.
Outras iniciativas incluem benefícios de apoio à maternidade, como licenças estendidas e maior flexibilidade de jornada, além de ações educativas voltadas ao combate de vieses inconscientes em toda a organização, não apenas nos processos seletivos, mas também nas promoções internas. Programas de desenvolvimento de liderança específicos para mulheres e o investimento em educação executiva completam esse conjunto de medidas.
“Vale lembrar um ponto crucial: mulheres precisam ver outras mulheres em posições de liderança. Modelos femininos inspiram e mostram que quem começa hoje pode, sim, ocupar qualquer cadeira amanhã”, conclui Madureira.
Presença nos estágios por área de atuação
Entre os cursos que mais contrataram estagiárias em 2025 estão Administração, Engenharia Civil, Química, Psicologia e Direito. Já as áreas internas que mais ampliaram a contratação de estagiárias foram Comercial, Recursos Humanos e Farmácia.
Os dados também apontam crescimento da presença feminina em setores estratégicos como Tecnologia e Finanças, com avanço de 34% entre o ano de 2024 e 2025, que historicamente registra presença menor de profissionais mulheres. Segundo o Observatório Softex, apenas 19,2% dos especialistas em TI no Brasil são mulheres, correspondendo a apenas 90 mil profissionais de um total de quase meio milhão de trabalhadores.
Já o mercado financeiro também apresenta mudanças significativas no que diz respeito à presença de mulheres. Madureira cita como fatores importantes o crescimento das assessorias de investimento nos últimos anos, bem como o aumento de clientes mulheres e mulheres investidoras.
“A democratização do acesso ao mercado financeiro graças à criação das fintechs, a alta demanda por novos aplicativos e a viralização nas redes sociais, entre outros, tornaram esse mercado mais acessível. Assim como a educação financeira, num movimento favorável à autonomia e empoderamento feminino, contribuíram para que mais mulheres reconhecessem o setor como possibilidade de carreira e o vissem como promissor”, complementa Madureira.”
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Fonte ==> Você SA