Quando a inteligência artificial começou a ganhar destaque, uma das primeiras preocupações foi como ela ia afetar o mercado de trabalho. Principalmente quais profissões seriam afetadas ou, até mesmo, substituídas pela IA.
Por meio dessa abordagem, a pesquisa consegue fazer comparações entre setores, estados, perfis socioeconômicos e categorias profissionais, além de análises históricas ao aplicar o índice às séries dos últimos dez anos. O resultado é um diagnóstico abrangente que pode orientar políticas públicas, decisões empresariais e estratégias educacionais focadas no futuro do trabalho.
Quais as ocupações mais e menos afetadas pela IA?
O estudo mostra que ocupações que dependem principalmente da cognição, como matemáticos, contadores, economistas, juízes, dirigentes financeiros, publicitários e professores universitários, são as mais sensíveis à automação baseada em IA. Todas elas têm índice AIOE acima de 113, o que é significativamente maior que a média nacional. Atividades ligadas à administração, análise e processamento de informações também figuram entre as mais expostas.
Em contrapartida, funções predominantemente manuais e contextuais, como pedreiros, trabalhadores da construção civil, agricultores, lavradores manuais e bailarinos, apresentam os menores índices de exposição. Seus números no índice estavam entre 73 e 85. Isso é um reflexo das limitações atuais da automação física em tarefas que exigem habilidades motoras complexas e adaptação a ambientes variáveis.
O relatório ainda aponta que a exposição da força de trabalho brasileira à IA cresceu de forma contínua na última década, com estabilidade apenas durante a pandemia. Em 2025, o país atingiu seu maior nível histórico de inserção em ocupações sensíveis à IA, impulsionado pela expansão de atividades intensivas em informação. Os impactos, porém, não ocorrem de maneira homogênea: trabalhadores com maior escolaridade e renda, residentes em estados mais urbanizados, são os mais expostos.
O estudo também identifica diferenças associadas à distribuição racial no mercado de trabalho, ainda que de forma mais sutil. São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal aparecem como os estados com maior impacto, enquanto regiões dependentes de agricultura e construção civil registram menor sensibilidade.
Para Erika Buzo Martins, coordenadora do curso de Administração da ESPM-SP, o estudo chega em um momento de transição profunda. “A inteligência artificial não é apenas uma tendência tecnológica; ela já está reorganizando o mercado de trabalho brasileiro. Entender essas transformações é fundamental para formar profissionais capazes de atuar em um ambiente em que análise crítica, criatividade e adaptabilidade serão cada vez mais essenciais.”
O desenvolvedor do estudo, Rafael Lionello, destaca a importância da profundidade analítica da pesquisa. “A inteligência artificial é uma força transformadora, mas seus efeitos variam muito entre regiões, setores e perfis de trabalhadores. Este estudo busca justamente revelar essas nuances e oferecer evidências concretas para decisões mais informadas e políticas mais inclusivas.”
Já Jorge Ferreira dos Santos Filho, coordenador do PRISMA – Observatório de Negócios da ESPM, reforça o papel estratégico do levantamento. “Mapear quem está mais exposto à IA significa mapear como o país deve se preparar. Nosso relatório oferece uma base sólida para governos, empresas e instituições educacionais desenharem políticas de formação e requalificação que reduzam desigualdades e ampliem oportunidades.”
O relatório conclui que a IA não elimina ocupações inteiras, mas transforma tarefas, reorganiza atividades e exige novas competências — reforçando a urgência de preparar trabalhadores, organizações e políticas públicas para essa transição.
Quem usa IA no trabalho é visto como mais preguiçoso e menos competentes pelos colegas
Fonte ==> Você SA