Divórcio do sono: casais dormem melhor separados – 20/03/2026 – Equilíbrio

A imagem mostra um quarto com duas camas. Em uma cama, há duas pessoas deitadas, com os pés visíveis, cobertos por um lençol. O chão está bagunçado com meias e roupas espalhadas. A janela mostra um céu noturno com uma lua crescente. A outra cama está desocupada, com um edredom vermelho. As paredes têm cores diferentes, uma delas é rosa e a outra é amarela.

Dizem que o amor supera tudo, mas nem sempre supera o ronco.

Nos Estados Unidos, estima-se que 82% dos casais compartilhem a cama. Compartilhar a cama com seu parceiro é frequentemente visto como uma parte essencial de um relacionamento romântico. Mas você já se perguntou se dormir separado poderia, na verdade, ser melhor para a sua saúde?

Um sono de boa qualidade é essencial tanto para a saúde física quanto para a saúde mental. Como a maioria dos adultos passa entre seis e nove horas dormindo a cada 24 horas, nossos hábitos de sono podem ter um grande efeito sobre o bem-estar.

Os hábitos de sono também evoluíram ao longo do tempo e entre diferentes culturas. Até o início do século 20, era comum dormir junto com o parceiro, os filhos, outros membros da família ou até mesmo animais de estimação. Mas a descoberta dos micróbios e as crescentes preocupações com a higiene geraram receios quanto à transmissão de doenças. Dormir em proximidade começou a ser visto como um risco potencial à saúde, e surgiu uma nova tendência de casais dormirem em camas separadas ou mesmo em quartos separados. Mais recentemente, temos visto um aumento no número de celebridades anunciando “divórcios do sono” de seus parceiros —mas será que elas estão certas?

Dormir juntos parece trazer vários benefícios. Pode fortalecer a proximidade e o apego do casal e promover a intimidade. Pesquisas sugerem que isso também pode ter efeitos físicos: a respiração e a frequência cardíaca dos casais podem se sincronizar durante o sono, o que pode contribuir para uma sensação de segurança e proteção. Dormir juntos também pode reduzir o estresse e aumentar a produção do hormônio oxitocina, às vezes chamado de “hormônio do amor”.

Casais frequentemente relatam que dormem melhor juntos do que separados. Isso foi analisado não apenas por meio de relatos pessoais, mas também por pesquisas que utilizam métodos especializados de monitoramento do sono, incluindo estudos laboratoriais do sono e dispositivos vestíveis de monitoramento do sono que medem movimentos durante a noite.

Quando compartilhar a cama perturba o sono

Mas o que acontece se o seu sono for realmente perturbado pelo seu parceiro, em vez de melhorado?

Pode haver muitas razões para isso. Um parceiro pode roncar, levantar-se várias vezes durante a noite para usar o banheiro, ler com a luz acesa ou assistir televisão na cama. Ele pode ter um distúrbio como apneia do sono ou síndrome das pernas inquietas. Alterações hormonais também podem influenciar o sono, como ondas de calor ou suores noturnos da menopausa. A gravidez, cuidar de um bebê ou horários de trabalho e turnos diferentes também podem perturbar o sono.

Quando essas perturbações ocorrem com frequência, elas interferem nos processos fundamentais do sono, incluindo a rapidez com que você adormece (conhecida como início do sono), a frequência com que você acorda durante a noite e por quanto tempo permanece dormindo. A perturbação desses processos pode ter uma série de efeitos prejudiciais à saúde física geral.

O sono ruim pode prejudicar o sistema imune, aumentando a suscetibilidade a infecções, como tosse e resfriados. Também pode perturbar a digestão e o metabolismo, aumentando o risco de ganho de peso e de doenças como diabetes ao afetar a regulação da insulina.

Em situações como essas, dormir separados pode ajudar. Dormir em quartos separados permite que cada pessoa otimize seu próprio ambiente de sono. Isso pode incluir a escolha de colchões ou roupas de cama diferentes, o ajuste dos níveis de luz, o controle da temperatura do quarto ou mesmo a alteração dos aromas e da qualidade do ar no quarto.

Dormir separados também pode contribuir para uma melhor higiene do sono. Cada parceiro pode adaptar seus hábitos de acordo com seus próprios padrões de sono, como ir para a cama em horários diferentes, ler antes de dormir ou evitar telas na cama. Sabe-se que esse comportamento promove um sono melhor e, por sua vez, uma saúde geral melhor.

Qualidade do relacionamento é importante

Mas o ambiente físico do sono é apenas parte da história. A dinâmica do relacionamento também desempenha um papel importante.

Casais que relatam estar em relacionamentos felizes e solidários tendem a ter um sono melhor em geral. Em contrapartida, pessoas em relacionamentos infelizes frequentemente relatam pior qualidade do sono. A falta de sono pode então piorar a regulação emocional, aumentar a ansiedade, diminuir a tolerância ao estresse e reduzir a empatia. Esses efeitos podem criar um ciclo negativo no qual o sono de má qualidade contribui para aumentar ainda mais a tensão no relacionamento.

Embora dormir em camas separadas seja às vezes visto como um sinal de problemas no relacionamento, isso não é necessariamente verdade. Se o comportamento de um dos parceiros estiver constantemente perturbando o sono do outro, os benefícios para a saúde de dormir separadamente podem superar as desvantagens.

Em última análise, se os casais dormem melhor juntos ou separados depende de ambos os parceiros e da qualidade do relacionamento. Para alguns casais, compartilhar a cama fortalece a conexão e o conforto. Para outros, um “divórcio do sono” pode ser simplesmente uma maneira prática de garantir que todos tenham o descanso de que precisam.

Este texto foi publicado no The Conversation. Clique aqui para ler a versão original



Folha SP

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