Atuação de Júlia Silva em iniciativas ligadas à transformação digital, engenharia e inclusão em STEM chama atenção em universidades e empresas americanas
A nova geração de profissionais brasileiros que vem ganhando espaço no setor global de tecnologia e engenharia tem um perfil cada vez mais multidisciplinar: domínio técnico, capacidade de liderança, atuação internacional e participação em projetos de inovação com impacto prático. É nesse cenário que a trajetória da brasileira Júlia de Macedo Soares da Silva começa a chamar atenção dentro do ambiente acadêmico e corporativo nos Estados Unidos.
Mestra em Gestão de Engenharia na University of Central Florida (UCF), uma das maiores universidades americanas nas áreas de engenharia e computação, Júlia construiu uma trajetória que conecta tecnologia, gestão de projetos, transformação digital e desenvolvimento de soluções aplicadas à infraestrutura e à segurança.
Nos últimos anos, ela passou a atuar diretamente em projetos ligados à Siemens Energy, uma das maiores companhias globais do setor energético, participando de iniciativas voltadas à digitalização logística, gestão de fornecedores e transformação operacional em cadeias internacionais de suprimentos.
Na unidade da empresa em Orlando, na Flórida, Júlia integra projetos relacionados à modernização de processos logísticos e implementação de ferramentas digitais em operações globais. Entre as iniciativas em que participou está a implementação de um novo Portal Único de Fornecedores, projeto que impacta milhares de fornecedores externos dentro da estrutura global da companhia.
Segundo ela, o avanço tecnológico no setor energético vem exigindo profissionais capazes de transitar entre engenharia, dados, gestão e comunicação estratégica.
“A transformação digital deixou de ser apenas uma questão tecnológica. Hoje ela envolve gestão de pessoas, integração global de processos e capacidade de adaptar operações inteiras a uma velocidade muito maior de mudança”, afirma Júlia.
Antes de assumir funções ligadas à transformação digital na Siemens Energy, a brasileira já havia acumulado experiência em projetos de tecnologia corporativa, automação e análise de dados dentro da própria companhia. Entre os trabalhos desenvolvidos, participou de treinamentos envolvendo Power Automate e Azure OpenAI, além de iniciativas ligadas à otimização de processos internos e documentação técnica voltada à segurança cibernética.
Paralelamente à atuação corporativa, Júlia também ganhou destaque dentro da University of Central Florida por seu envolvimento em projetos acadêmicos de engenharia e inovação tecnológica.
Um dos principais foi o desenvolvimento do “Blade: Blue Light Autonomous Drone for Emergencies”, projeto criado em parceria com estudantes de ciência da computação e engenharia para desenvolver um drone autônomo voltado ao apoio de situações de emergência. O sistema foi projetado para enviar imagens em tempo real a equipes de resgate e primeiros socorros, utilizando integração entre aplicativo móvel, transmissão ao vivo, GPS e navegação autônoma.
A proposta nasceu da identificação de falhas recorrentes em sistemas tradicionais de emergência, especialmente dificuldades de localização de vítimas e limitação de informações disponíveis para equipes de resposta rápida.
“O projeto surgiu da ideia de usar tecnologia para reduzir tempo de resposta em situações críticas. Queríamos construir uma solução que ajudasse equipes de emergência a terem mais contexto antes mesmo de chegarem ao local”, explica.
O sistema utilizou arquitetura baseada em serviços da Amazon Web Services (AWS), transmissão em tempo real, autenticação digital, computação embarcada e integração entre hardware e software.
Além da atuação técnica, Júlia também passou a exercer funções de liderança acadêmica dentro da universidade americana. Como assistente de ensino no programa de Projeto Final de Ciência da Computação da UCF, ela acompanha mais de 30 equipes de desenvolvimento, orientando estudantes em gestão ágil, arquitetura de software, liderança e execução de projetos multidisciplinares.
Segundo ela, uma das principais mudanças no setor de tecnologia está na valorização de profissionais capazes de combinar conhecimento técnico e capacidade de coordenação.
“Muitas vezes o diferencial não está apenas em programar ou construir uma solução técnica. Está em conseguir liderar equipes, integrar áreas diferentes e transformar tecnologia em algo aplicável e funcional”, afirma.
A trajetória da brasileira também inclui conquistas em competições nacionais de inovação nos Estados Unidos. Júlia participou de edições da HSI Battle of the Brains, competição universitária ligada à inovação, tecnologia e empreendedorismo, conquistando posições de destaque como capitã e desenvolvedora de equipes vencedoras.
Além da área corporativa e acadêmica, ela também mantém atuação em iniciativas voltadas à inclusão de mulheres e minorias em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), participando de organizações como Society of Women Engineers (SWE), SHPE e Women in Technology.
Para Júlia, o avanço da inteligência artificial, da automação e da digitalização industrial deve ampliar ainda mais a demanda global por profissionais híbridos, capazes de unir engenharia, gestão e tecnologia.
“O mercado está mudando muito rápido. Hoje as empresas procuram profissionais que consigam entender tecnologia, mas também liderar transformação, comunicar soluções e trabalhar em ambientes globais. Essa integração entre áreas deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade”, afirma.
Em meio ao avanço da digitalização industrial e da transformação energética global, trajetórias como a de Júlia refletem uma tendência cada vez mais forte: a ascensão de profissionais brasileiros em posições estratégicas dentro de setores ligados à inovação, engenharia e tecnologia internacional.