Golpe salva chave de acesso e mantém invasor na conta mesmo após troca de senha

Um novo kit de ferramentas para golpes digitais consegue driblar a principal recomendação dada a vítimas de invasão: trocar a senha e desconectar os dispositivos ativos. Identificado como “iAuthFlow v2”, o programa malicioso captura as informações de acesso da vítima e cadastra uma nova chave de acesso (passkey) controlada pelo invasor. Assim, o criminoso consegue voltar a acessar o e-mail mesmo depois que a vítima descobre o ataque e altera todos os dados.

O software foi descoberto por especialistas da empresa de cibersegurança Abnormal em fóruns de crimes digitais em língua russa e divulgado em relatório. Comercializado sob o modelo de serviço pelo valor inicial de US$ 10 mil (cerca de R$ 55 mil), o kit tem versões anunciadas para atacar plataformas como Google, Microsoft, Apple (iCloud) e LinkedIn. O estudo detalhado pelos analistas focou no funcionamento do sistema contra contas do Gmail.

smart_display

Nossos vídeos em destaque

A abordagem inicial parece um golpe de phishing tradicional. A vítima recebe um link exclusivo e acessa uma página idêntica à de login oficial do Google. Nos bastidores, o iAuthFlow v2 opera um navegador no servidor do criminoso. Esse sistema intermediário repassa os dados em tempo real, pois quando o usuário digita o e-mail, a senha ou o código de verificação em duas etapas, a ferramenta envia as informações diretamente ao Google legítimo, que responde validando o acesso.

undefined
A listagem do fórum e sua descrição da cadeia de módulos (Reprodução/Abnormal)

A inovação prejudicial do golpe acontece logo após a confirmação do login. Em vez de liberar a caixa de entrada de imediato, o sistema trava a tela do usuário com uma mensagem de carregamento e verificação. Nos poucos segundos de espera, o programa entra nas configurações de segurança da conta invadida e cadastra uma nova passkey em posse do criminoso.

As chaves de acesso foram criadas pela indústria de tecnologia como um método moderno de login, que substitui senhas por biometria ou chaves criptográficas seguras. No entanto, por funcionarem como uma credencial independente vinculada à conta, operam sob regras diferentes das senhas convencionais.

Quando um usuário percebe uma invasão comum e troca a senha, o serviço desconecta sessões abertas e anula cookies temporários. No caso do iAuthFlow v2, essa ação derruba a sessão que o golpista utilizava naquele momento, mas mantém intacta a passkey recém-adicionada.

“Mudar a senha e revogar as sessões ativas são respostas padrão para uma conta de e-mail comprometida. Quando o acesso do invasor é limitado a cookies de sessão capturados, essas ações normalmente encerram esse acesso. O Google também informa que a alteração de uma senha revoga senhas de aplicativos e tokens OAuth com permissões do Gmail, embora alguns dispositivos autorizados e conexões de terceiros possam permanecer conectados”, explica a Abnormal, na análise. 

Com a chave clandestina salva no perfil, o invasor não precisa saber a nova senha escolhida pela vítima. Basta acessar a tela de login do Google, clicar na opção “Tentar de outro jeito” e utilizar a passkey cadastrada para recuperar o controle total da caixa de e-mails.

A equipe da Abnormal ressaltou que a investigação teve como base demonstrações em vídeo, registros operacionais e mensagens publicadas pelo desenvolvedor nos fóruns clandestinos, sem a execução direta da ferramenta em testes próprios. Os analistas concluíram que a redefinição de senhas deixou de ser suficiente para resolver incidentes de segurança.

Para administradores de sistemas corporativos e usuários em geral, a orientação diante de qualquer suspeita é ir além da troca de senha. Segundo o estudo, é fundamental acessar o painel de segurança da conta, revisar todas as chaves de acesso cadastradas, excluir credenciais desconhecidas e verificar se os criminosos não criaram regras de encaminhamento automático de e-mails ou filtros ocultos.

Por falar em violência de gênero no universo digital, mulheres usam IA para filtrar agressores antes de sair de casa. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.



Fonte ==> TecMundo

Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *