Anvisa recolhe água Mamba Water com mesma bactéria do Ypê – 16/07/2026 – Equilíbrio e Saúde

Lata prateada de 350 ml com a marca

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou nesta quarta-feira (15) o recolhimento de dois lotes de água Mamba Water após a detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa, a mesma encontrada recentemente em produtos Ypê.

Consumidores que tiverem produtos dos lotes afetados devem interromper o consumo. A medida afeta a Mamba Water Água Mineral sem Gás, em lata de 350 ml, dos lotes 13 e 14. O lote 13 foi fabricado em 3 de abril de 2026 e tem validade até 3 de abril de 2027. O lote 14 foi fabricado em 4 de abril de 2026, com validade até 4 de abril de 2027.

A ingestão de pequenas quantidades da bactéria geralmente não causa doença em pessoas saudáveis, mas o risco aumenta em caso de exposição a uma carga bacteriana elevada e entre pessoas imunossuprimidas ou gravemente enfermas, segundo especialistas.

“Quando a carga bacteriana é muito elevada ou a pessoa apresenta fatores de risco, a bactéria pode causar uma infecção. Nesses casos, pode provocar gastroenterite, com sintomas como diarreia, dor abdominal, náusea e vômito”, afirma Gabriela Leite de Camargo, infectologista do Hospital Pró-Cardíaco, da Rede Américas.

“Se houver febre, vômito persistente, diarreia intensa ou piora clínica, [o consumidor deve] procurar atendimento”, diz Henrique Lacerda, infectologista do Hospital Brasília, da Rede Américas. “Não se deve tomar antibiótico por conta própria”, acrescenta.

Em nota ao mercado, a Mamba Water diz não ter registro de reclamações ou de impactos à saúde de consumidores relacionados aos lotes em seus canais de atendimento. A marca orienta que consumidores que tenham unidades dos lotes afetados não consumam o produto e entrem em contato para solicitar reembolso.

A marca afirma, ainda, que cerca de 82% do volume dos lotes envolvidos já havia sido bloqueado preventivamente e permanecia fora de circulação comercial.

A Pseudomonas aeruginosa esteve recentemente no centro de uma medida da Anvisa contra produtos da Ypê. A agência determinou o recolhimento de lotes de detergentes, sabão líquido para lavar roupas e desinfetantes da marca e suspendeu a produção na fábrica da Química Amparo, em Amparo (SP), após identificar falhas em etapas críticas do processo produtivo.

Presente em ambientes hospitalares, a Pseudomonas aeruginosa é até cem vezes mais resistente a antibióticos do que bactérias comuns. Possui uma taxa global de mortalidade que pode variar de 32% a 58% em casos graves, como infecções na corrente sanguínea ou pneumonia associada à ventilação.

A bactéria é considerada oportunista, ou seja, o risco de quadros graves tende a ser maior entre pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes com câncer, com HIV, transplantados, idosos e internados em unidades de terapia intensiva. O tratamento é feito com antibióticos.

“É uma bactéria que tem mecanismos naturais e adquiridos de resistência, e isso pode limitar bastante o antibiótico disponível para tratar aquela infecção”, afirma Lacerda.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) identifica a resistência antimicrobiana como uma das dez principais ameaças à saúde pública mundial.

Um estudo da Universidade Politécnica de Hong Kong, publicado em 2025 na revista Microorganisms, classifica a Pseudomonas aeruginosa como uma das principais causas de infecções hospitalares.

Os pesquisadores destacam a capacidade de formar biofilmes, colônias protegidas por uma matriz viscosa que atua como um escudo físico, permitindo que a bactéria sobreviva até mesmo em ambientes hostis, como frascos de produtos de limpeza.

Em pessoas saudáveis, a pele e as mucosas normalmente dificultam a entrada do microrganismo. O risco, porém, depende de fatores como a quantidade de bactérias presente e a forma de exposição.

Em ambiente doméstico, o contato com a Pseudomonas aeruginosa pode causar irritação na pele, alergias, coceiras e ardências nos olhos. Há ainda riscos de problemas respiratórios e dermatite, uma inflamação na pele caracterizadas por coceira, vermelhidão e descamação.



Folha SP

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