Escuta ativa pode aumentar sensação de ser amado – 18/02/2026 – Equilíbrio

Escuta ativa pode aumentar sensação de ser amado - 18/02/2026 - Equilíbrio

Sonja Lyubomirsky é uma das principais pesquisadoras da ciência da felicidade há décadas. E, durante todo esse tempo, as pessoas têm lhe perguntado: qual é o segredo?

Lyubomirsky, professora titular de psicologia na Universidade da Califórnia em Riverside, sempre se incomodou com essa pergunta. O segredo da felicidade? Que coisa ridícula e simplista.

Quando pressionada, ela me disse que costuma responder algo do tipo: “Conexão e relacionamentos. Pensamento positivo, que inclui gratidão. E uma sensação de controle sobre a própria vida”.

Mas se ela realmente tivesse que escolher uma coisa, afirma, o segredo da felicidade é “sentir-se amado”.

Essa é a premissa de seu livro mais recente, “How to Feel Loved” (Como se Sentir Amado), que ela escreveu em parceria com Harry Reis, professor de psicologia na Universidade de Rochester que estuda relacionamentos íntimos.

As pesquisas sobre amor e felicidade tendem a focar no amor que sentimos pelos outros. Mas, na verdade, argumentam Lyubomirsky e Reis em seu livro, o que realmente nos faz felizes é quanto amor sentimos voltando para nós.

Pessoas que querem se sentir mais amadas tendem a adotar uma de duas abordagens que não são necessariamente eficazes, escrevem os autores: tentam se consertar (se ao menos eu fosse melhor, mais gentil, mais atraente etc.) ou tentam consertar a outra pessoa (se ao menos meu parceiro finalmente descobrisse minha linguagem do amor!).

Mas se você quer se sentir mais amado, argumentam Lyubomirsky e Reis, não concentre sua energia em tentar mudar ninguém. Em vez disso, mude as conversas que você está tendo.

Ouça melhor para receber mais amor

Para se sentir mais amado pelos outros, você deve começar fazendo com que eles se sintam amados por você, escrevem os autores. E tornar-se um ouvinte melhor é uma das formas mais poderosas de fazer isso.

Muitos de nós achamos que somos bons ouvintes, disse Lyubomirsky, mas, na verdade, estamos apenas esperando nossa vez de falar. (Ela admitiu que isso é algo com que ela mesma tem dificuldade.)

Por isso, ela recomenda adotar uma mentalidade de “ouvir para aprender”. Basicamente, mude seu foco de responder para compreender.

“Todos conhecemos aquela sensação, quando alguém está tão curioso sobre você, como se mal pudesse esperar para ouvir sua história”, disse Lyubomirsky. “Os olhos brilham. A pessoa se inclina para frente.”

Esse tipo de escuta genuína e focada é rara, disse ela, e bastante poderosa.

“Quando alguém se sente profundamente visto, valorizado e compreendido por você, essa pessoa se torna mais disposta, motivada e até ansiosa para fazer o mesmo por você”, escrevem os autores.

Mas tornar-se um ouvinte melhor exige prática. Algumas boas práticas simples: não interrompa, disse Lyubomirsky, e não ofereça conselhos a menos que a pessoa com quem você está conversando peça.

E faça perguntas de acompanhamento. Reis costuma recorrer a três palavras que, segundo ele, raramente falham: “me conta mais”.

Foque em um relacionamento de cada vez

Em vez de tentar mudar a forma como você aborda todas as pessoas em sua vida, Lyubomirsky recomenda escolher uma pessoa de quem você quer se sentir mais amado e começar por aí. Pode ser alguém de quem você já é próximo, como um parceiro ou um dos pais, disse ela. Ou pode ser um colega que você gostaria de conhecer melhor.

Relacionamentos românticos não são o único lugar para obter essa sensação de ser amado, nem sentir-se amado se limita a apenas alguns relacionamentos próximos, argumentam os autores.

Depois de identificar seu alvo, faça um plano para se desafiar: na próxima semana, tenha três conversas com essa pessoa nas quais você se esforce para demonstrar curiosidade genuína, recomendou Lyubomirsky.

Os autores acreditam que dar e receber amor funcionam juntos como uma gangorra: você eleva uma pessoa com o peso de sua curiosidade e atenção —e ela faz o mesmo em retorno.

“O outro lado também é muito importante”, disse Reis. “Compartilhar o que é importante para você, compartilhar o que te preocupa, para que realmente se torne uma via de mão dupla.”

A reciprocidade não é garantida, mas é uma norma social poderosa, acrescentou ele. Temos a tendência de responder com cuidado e gentileza àqueles que os demonstram para nós.

Saiba quando jogar a toalha

É claro que, às vezes, você pode fazer o seu melhor para ouvir e ser aberto, e a outra pessoa não dá nada em troca. Se esse for o caso —ou se você estiver achando difícil reunir curiosidade genuína—, esses são sinais de que esse não é o relacionamento certo para investir muito esforço e energia.

“Às vezes escolhemos a pessoa errada de quem queremos nos sentir mais amados”, disse Lyubomirsky.

Considere perguntas como: essa pessoa parece me “entender” em algum nível, ou pelo menos demonstra interesse em fazer isso? Quando compartilhei dificuldades ou imperfeições, ela foi curiosa e ouviu com entusiasmo?

Em última análise, Lyubomirsky espera que as pessoas se sintam empoderadas pela mensagem de que, se escolherem com sabedoria —e focarem em sua abordagem nas conversas—, começarão a sentir mais amor e, consequentemente, mais felicidade vindo em sua direção.

“Sentir-se amado”, argumentam os autores, “não está fora do seu controle”.



Folha SP

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