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21 de agosto de 2026
Cristiney

Quando os sistemas não conversam, o leilão paga a conta

Nova etapa da gestão de veículos removidos exige mais do que digitalização: integração entre órgãos, pátios, sistemas e plataformas de leilão passa a ser estratégica para garantir rastreabilidade e eficiência A transformação digital da gestão de veículos removidos avançou nos últimos anos. Processos que antes dependiam de formulários físicos, controles manuais e arquivos isolados passaram a utilizar sistemas eletrônicos para registrar remoções, controlar pátios, emitir cobranças, processar liberações e realizar leilões. Mas digitalizar uma operação não significa, necessariamente, integrá-la. É possível ter diferentes sistemas modernos funcionando simultaneamente e, ainda assim, manter um processo fragmentado. O problema aparece quando as informações de um mesmo veículo precisam transitar entre diferentes órgãos, operadores e plataformas sem uma conexão estruturada entre essas etapas. Nesses casos, dados precisam ser exportados, redigitados, conferidos, importados ou reconciliados diversas vezes. A cada nova intervenção, aumenta o risco de divergências. E, muitas vezes, o problema só se torna evidente na etapa final da cadeia: o leilão. É nesse contexto que a interoperabilidade ganha importância na gestão de veículos removidos no Brasil. O veículo percorre um processo muito maior do que o leilão O leilão representa apenas uma etapa de uma cadeia administrativa extensa. A trajetória começa com a remoção e pode envolver transporte, entrada no centro de custódia, identificação, vistoria, registro fotográfico, controle de permanência, cobrança, notificação, atendimento ao proprietário, análise documental e liberação. Quando a regularização não ocorre, inicia-se outro conjunto de procedimentos, que pode incluir classificação, avaliação, organização documental, formação de lotes, elaboração de edital, publicidade, realização da hasta pública, arrematação, prestação de contas, transferência ou baixa e entrega do bem. Por isso, eventuais problemas encontrados no leilão nem sempre têm origem nessa etapa. Muitas vezes, eles são consequência de falhas acumuladas ao longo do processo. Quando os sistemas não conversam, as pessoas fazem a integração Em operações fragmentadas, a integração frequentemente acaba sendo feita de maneira manual. Planilhas são exportadas, arquivos são encaminhados, informações são copiadas, fotografias são reorganizadas e cadastros são novamente conferidos. Além do custo operacional, esse modelo cria outro problema: a perda de rastreabilidade. Quanto mais vezes uma informação é manipulada, mais difícil fica identificar sua origem, quando foi alterada, quem realizou a alteração e em qual etapa surgiu determinada divergência. Em processos administrativos que envolvem bens sob custódia pública, manter uma linha histórica confiável é fundamental. Resolução CONTRAN nº 1.025/2026 reforça a necessidade de integração A discussão ganhou ainda mais relevância com a Resolução CONTRAN nº 1.025, de 26 de junho de 2026, que substituiu a antiga Resolução nº 623/2016 e reorganizou regras relacionadas à remoção, guarda, liberação e leilão de veículos. Entre os pontos destacados está a criação do Sistema Integrado de Veículos Custodiados (Sivec). A mudança representa uma evolução na forma de enxergar os dados produzidos durante o ciclo de custódia. O objetivo passa a ser não apenas armazenar informações, mas integrar e organizar os dados gerados ao longo da trajetória administrativa do veículo. Na prática, centros de custódia, órgãos responsáveis, operadores tecnológicos e plataformas de leilão precisam atuar dentro de uma arquitetura que preserve a continuidade das informações. O conceito é simples: um mesmo veículo não deveria possuir histórias diferentes em sistemas diferentes. Deveria existir uma trajetória administrativa única e rastreável. Interoperabilidade vai além da tecnologia Conectar dois sistemas por meio de uma API não é suficiente para garantir interoperabilidade. Diferentes plataformas podem estar tecnicamente conectadas e ainda assim interpretar uma mesma informação de maneiras distintas. Um exemplo é o status de um veículo. Termos como “custodiado”, “liberável”, “preparado para leilão”, “classificado” ou “arrematado” precisam representar situações administrativas claras. Cada mudança de status deve estar associada a informações como data, responsável, documentos relacionados e reflexos nas demais etapas do processo. Por isso, a integração depende também de padronização de dados, governança, definição de responsabilidades, segurança da informação, controle de acesso, rastreabilidade e capacidade de auditoria. A tecnologia, nesse cenário, não substitui o processo administrativo. Ela precisa refletir corretamente o processo e criar mecanismos para que ele seja acompanhado. Experiência em diferentes estados evidencia a complexidade A experiência da WEBZI Pesquisa & Inovação Tecnológica ajuda a ilustrar a dimensão desse desafio. Segundo o material, a empresa acumulou experiência na aplicação de sistemas destinados à gestão de veículos removidos em 12 estados brasileiros, atuando em ambientes com características administrativas distintas. Ao longo dessa trajetória, seus sistemas foram utilizados em operações relacionadas a estruturas municipais, estaduais e também a entes federais, incluindo operações vinculadas à Polícia Rodoviária Federal (PRF) em diferentes regiões do país. A diversidade revela um ponto importante: não existe um modelo único de pátio no Brasil. Enquanto determinados municípios possuem estruturas administrativas próprias, outros podem terceirizar parte da operação. Estados podem trabalhar com múltiplos depósitos, enquanto estruturas federais podem demandar padrões específicos de controle e integração. Apesar dessas diferenças, algumas perguntas permanecem comuns a praticamente todas as operações: qual veículo entrou, por que entrou, quando entrou, onde está, o que ocorreu durante a custódia e qual foi seu destino final. Pátios são centros de produção de informação O pátio não deve ser visto apenas como um espaço físico destinado ao armazenamento de veículos. Ele também é um dos principais centros produtores de informações do processo. No ingresso do veículo são consolidados registros operacionais. Durante a custódia, surgem informações sobre movimentações, fotografias, atendimentos, cobranças, documentos e alterações de status. A partir desses dados, o processo pode seguir dois caminhos: a regularização e liberação do veículo ou sua eventual preparação para alienação. Isso significa que a qualidade das informações produzidas no pátio influencia diretamente as etapas posteriores, inclusive o leilão. Um ecossistema integrado acompanha o veículo até o destino final A experiência acumulada pela WEBZI em diferentes operações levou ao desenvolvimento de sistemas sob uma lógica de ecossistema, de acordo com o material. Em vez de tratar cada etapa como uma aplicação isolada, a proposta é acompanhar a evolução das informações conforme o processo administrativo avança. Na gestão do pátio, isso pode envolver registros de remoção, entrada, vistoria, fotografias, GRV, localização física, controle de custódia, atendimento, cálculo de valores, pagamentos,

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