A polícia queniana matou a tiros um manifestante durante confrontos com manifestantes contrários à construção de um centro de quarentena para cidadãos americanos em uma cidade turística.
O centro médico, instalado em uma base aérea na cidade de Nanyuki, perto do Monte Quênia, será utilizado para isolar americanos procedentes da República Democrática do Congo, país que enfrenta um surto de ebola. O Quênia nunca registrou um caso de ebola e muitos se opõem à ideia de transportar ao país possíveis portadores dessa doença altamente contagiosa.
Patrick Wahome, que ajudou a organizar os protestos na cidade central de Nanyuki contra a instalação, e várias testemunhas oculares no local disseram que o homem morreu de um ferimento a bala na cabeça. Repórteres da Reuters e da AFP, que não presenciaram o tiroteio, viram o corpo imóvel com um grande ferimento na cabeça na parte traseira de uma viatura policial.
A Cruz Vermelha informou que outra pessoa ficou ferida devido ao gás lacrimogêneo.
Confrontos foram registrados em diferentes pontos de Nanyuki. Os manifestantes estabeleceram barricadas e atiraram pedras contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e jatos de água.
A ONG (organização sem fins lucrativos) Comissão de Direitos Humanos do Quênia afirmou que “policiais encapuzados dispararam balas de verdade e prenderam arbitrariamente 19 manifestantes”, em um comunicado publicado em sua conta no X na noite de terça-feira.
Dezenas de pessoas foram detidas, inclusive por policiais à paisana. “Laikipia não é um lixão. Não estou feliz com a decisão dos Estados Unidos de construir um centro de quarentena em nosso país”, declarou Priscilla Waimani, 47, enrolada em uma bandeira queniana.
Uma juíza do Tribunal Superior emitiu duas vezes ordens proibindo o governo do Quênia de tomar medidas para construir ou iniciar operações no local. Sua última ordem deu ao governo uma semana para divulgar todos os acordos relacionados à instalação.
Joshua Malidzo, advogado que contesta o plano de quarentena, disse que o prazo do tribunal expirou na segunda-feira sem que o governo cumprisse a determinação. Os Estados Unidos disseram estar cientes do processo judicial e que estavam “trabalhando com o governo queniano para resolver quaisquer objeções”.
A instalação de Nanyuki é destinada a americanos que foram expostos ao vírus, mas ainda estão assintomáticos. Autoridades quenianas disseram que a instalação também atenderia quenianos e estrangeiros, mas autoridades americanas não confirmaram isso.
O governo do presidente William Ruto insiste que tem uma dívida com Washington por anos de ajuda econômica. Os Estados Unidos, por sua vez, prometeram U$ 13,5 milhões (R$ 70 milhões) para os esforços de prevenção do Quênia contra o ebola. O governo do presidente americano Donald Trump disse que não permitirá a entrada de nenhum caso de ebola nos EUA.
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